domingo ,17 dezembro 2017
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Carro-pipa é única opção de acesso à água para 880 mil baianos

Foto: Reprodução

Cerca de 40% dos municípios sofrem com longa estiagem. Ao menos 18 grandes reservatórios de água estão em situação crítica

A seca que já se arrasta há seis anos na Bahia levou a outra consequência desastrosa: pelo menos 880 mil pessoas no estado têm abastecimento de água exclusivamente por carros-pipa atualmente. A situação se repete em 158 dos 417 municípios da Bahia – ou seja: quase 40% do estado.

O problema fica ainda mais crítico diante do estado dos reservatórios que abastecem as cidades: nesta quinta-feira (30), uma reportagem do Chapada News mostrou que 18 reservatórios da Bahia estão em situação crítica, com menos de 30% do volume útil disponível. Das 34 cidades que estão em racionamento de água preventivo, 16 são abastecidas por carros-pipa.

A maior parte dos municípios é atendida pelo Exército, em convênio com o Ministério da Integração. De acordo com o órgão federal, 143 cidades são atendidas por eles. Após o decreto de situação de emergência ou calamidade pública à Defesa Civil do Estado (Sudec), o Exército faz uma avaliação técnica em conjunto com a prefeitura para que o município seja incluído na operação e passe a receber água diariamente.

De acordo com o tenente-coronel do Exército Antônio Sampaio, chefe do escritório da Operação Carro-Pipa, o cálculo de água é de 20 litros por dia para cada pessoa durante um mês. “É pouco? É, mas é uma situação de emergência. Não é uma questão de falta d’água como acontece em Salvador,  mas uma situação em que a pessoa não tem água para nada. A pessoa é orientada a usar essa água para beber e se alimentar. Tomar banho, lavar roupa, dar comida a animal não. A prioridade é o ser humano”, explicou.

Só que, por lei, o Exército só atende comunidades que vivem na zona rural dos municípios – e esses têm que ficar, especificamente, na região do semi-árido. “Nosso estado tem a dimensão de um país e a questão das chuvas é complicada, mas tanto o governo estadual quanto o federal têm realizado esforços no sentido de melhorar essa situação, criando poços artesianos nessas localidades mais críticas”. Hoje, há 955 caminhões-pipa contratados para abastecer os municípios baianos pelo Exército. Cada um tem capacidade de 8 mil a 12 mil litros de água.

Além disso, a Sudec atende 38 municípios com carros-pipa. Alguns, inclusive, coincidem com os abastecidos pelo Exército – só 13 são abastecidos somente pelo órgão estadual. A diferença é que, diferentemente do Exército, a Sudec pode abranger municípios fora do semi-árido, além de zonas urbanas. Assim, beneficiam 120 mil das 880 mil pessoas atendidas por carro-pipa.

“Isso é importante nessa atual conjuntura climática, que a gente tem municípios que não sofriam com a falta d’água, mas que hoje sofrem, como no Oeste da Bahia. Às vezes, são cidades que têm acesso a água encanada, como Itabuna, no ano passado, que não tinha água na torneira e nós atendemos por um tempo”, disse o diretor-superintendente do órgão, Paulo Sérgio Menezes.

Segundo ele, nos últimos doze meses, foram investidos R$ 9 milhões na operação. Agora, a Sudec solicitou ao governo federal R$ 30 milhões para o próximo ano. “Tivemos que aumentar porque a necessidade só aumenta. Tem municípios na eminência de colapso, então a gente quer também para cidades, que é mais custoso do que na zona rural. A gente tem uma situação crítica em Ponto Novo e Senhor do Bonfim, por conta do nível das barragens, que está muito baixo”. Cada carro custa, em média, R$ 12 mil. O Ministério da Integração, por sua vez, não informou o valor total do investimento.

Ele reforça, contudo, que os carros-pipa não podem ser permanentes, mas serem vistos apenas como ação emergencial. “Até porque carro-pipa é uma operação cara, então a gente tem trabalhado em busca de soluções permanentes com obras estruturantes”, contou, referindo-se à construção de poços artesianos em 108 comunidades pela Sudec, com investimento de R$ 16 milhões.

Dos 158 municípios, a Embasa também abastece 10 – sendo que apenas dois (Ibirapuã e Seabra) não recebem a operação federal ou pela Sudec. Em nota, o órgão informou que o abastecimento é ‘alternativo’ em consequência da estiagem. “Nestes locais, devido à redução dos níveis dos mananciais, a oferta de água pela rede distribuidora está sendo complementada por carros-pipa até que os reservatórios retornem aos volumes normais”, diz a Embasa, por meio de comunicado. (Correio 24 horas)

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