segunda-feira ,24 setembro 2018
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Chapada: Formações geológicas entre Seabra, Palmeiras e Iraquara são pontos de visitação de turistas

O interesse crescente de pesquisadores em espeleologia, na região, deve-se ao grande número de grutas existentes na Chapada Diamantina ainda sem conhecer, catalogar ou explorar, adequadamente | FOTO: Montagem do JC/Nondas Pereira/Chico Ferreira e Branco Pires |

As cidades de Seabra, Palmeiras e Iraquara, na Chapada Diamantina, estão localizadas em uma região em que as formações geológicas de cavernas datam da era do Proterozóico Superior (900 – 700 milhões de anos) e do Proterozóico Médio (entre 1,7 e 1 bilhão de anos), segundo especialistas. Lá se concentra a grande maioria das grutas estudadas no Estado da Bahia. Todas essas cavernas, com exceção daquelas de arenitos, originaram-se da lenta percolação de águas levemente ácidas abriram passagens nas pedras. A água, que se infiltra na superfície, penetra no solo e vai dissolvendo a rocha. Ao encontrar os espaços das galerias subterrâneas, o carbonato de cálcio, dissolvido na água, sofre um processo de cristalização.

Inicia-se, assim, a formação das estalactites, precipitado alongado mineral que se forma nos tetos das cavernas ou dos subterrâneos, e das estalagmites, precipitado alongado mineral formado no solo de uma caverna ou subterrâneo provenientes dos respingos caídos do teto e em oposição ao estalactite, muitas vezes formando espeleotemas, que são formações minerais encontradas no interior da caverna que sugerem figuras de castelos, pianos, santos, candelabros, e uma infinidade de formas. Estima-se que uma estalactite, uma estalagmite, ou mesmo um espeleotema levem de 33 a 100 anos para crescer apenas 1 cm.

O interesse crescente de pesquisadores em espeleologia, na região, deve-se ao grande número de grutas existentes na Chapada Diamantina ainda sem conhecer, catalogar ou explorar, adequadamente. No século passado, pioneiros como Peter Lund e o alemão Ricardo Kroner descobriram o enorme potencial espeleológico brasileiro. Na Bahia, encontra-se o maior sistema hidrológico subterrâneo identificado no País e talvez no mundo. Existem mais de 130 grutas mapeadas e cadastradas só nos municípios de Seabra, Palmeiras e Iraquara.

Segundo algumas estimativas, aquela região contém, provavelmente, a maior densidade de galerias por quilômetro quadrado, e o maior potencial brasileiro, tanto em termos de quantidade quanto de extensão de cavernas, sendo que a distância entre elas alcançaria, no máximo, 500 metros. As cavernas formadas em arenitos, do Grupo Chapada Diamantina, estão entre as mais espetaculares e raras do mundo, a exemplo da Gruta do Lapão, no município de Lençóis, que tem mais de um quilômetro de extensão.

Dentre as grutas existentes com formação calcária, destacam-se, como as mais extensas, a Lapa Doce ll, com 9.800 metros; a Gruta da Torrinha, com 6.500 metros; a Gruta do Ioiô e a Gruta do Impossível, ambas com 4.000 metros de extensão. Atualmente, apenas cinco, dentre essas grutas, são exploradas turisticamente: Lapa Doce l, Torrinha, Pratinha, Gruta Azul, e a Gruta do Lapão, em Lençóis, esta última esculpida em arenitos.

Além da beleza de seus espeleotemas, observam-se, também, importantes painéis arqueológicos, com pinturas rupestres de animais (a exemplo de cachorros, veados, peixes etc.) ou de outras figuras que sugerem formas as mais diversas, como sol, mãos, flechas e desenhos geométricos. São figuras que se atribuem à obra do homem americano, pré-colombiano, datadas entre 1 mil a 8 mil anos, sendo que os painéis mais antigos, segundo a professora Beltrão, alcançariam 30 mil anos.

As cavernas têm muito a nos ensinar e a oferecer. Entretanto, é necessário saber visitá-las, respeitando as suas normas de segurança, a fim de que não sejam estas destruídas, invadidas ou depredadas, já que pertencem ao nosso patrimônio natural, sendo portanto, um legado para as gerações futuras.

Turistas que passam pela gruta não deixam de se encantar com as formações da natureza | FOTO: Divulgação/Nondas Pereira |

Saiba mais sobre os locais que podem ser visitados:
Gruta da Lapa Doce
Localizada no município de Iraquara, a Gruta da Lapa Doce faz parte de um complexo de cavernas calcárias, diferenciando da maioria das cavernas da região por ser ampla, arejada e quase toda plana. Considerada a terceira maior do Brasil, a caverna possui 20 quilômetros mapeados, onde 850 metros são abertos à visitação. Sua dolina (depressão externa formada pela dissolução ou desmoronamento de material calcário) surpreende pela grandiosidade dos seus 72 metros de altura. Seu maior salão não fica atrás.

Tem 60 metros de largura. Para a visitação paga-se uma taxa individual de R$ 10 e são permitidos grupos de no máximo 12 pessoas acompanhados sempre por guia. Como chegar: Seguindo aproximadamente 20 quilômetros pela BR-242 após passar pelo Morro do Pai Inácio, pega-se a BA-122 por 14 quilômetros até um cruzamento com estrada de terra. Placas indicam a Gruta da Lapa Doce à esquerda da rodovia e a Pratinha à direita. Percorra um quilômetro até uma bifurcação, dobre à direita e percorra mais um quilômetro.

Para conhecer a Gruta da Pratinha é preciso chegar à fazenda de mesmo nome, que fica na BA 122, Km 13, no distrito de Santa Rita | FOTO: Reprodução/João Ramos |

Pratinha e Gruta Azul
Situada na Fazenda Pratinha, próxima ao município de Iraquara e com a mesma água transparente e azul dos poços Encantado e Azul, o lago da gruta Azul fica escondido sob as raízes aéreas de uma árvore da fazenda e tem comunicação com o Rio Pratinha. Para chegar até ela há uma pequena, mas íngreme descida. O banho na gruta não é permitido.

Já na Gruta do Rio Pratinha o mergulho é permitido. A observação das formações rochosas e dos peixes é a principal atração. Vale dizer que a flutuação é uma espécie de mergulho feita com colete salva-vidas, pé de pato e snorkel, sempre em grupos e acompanhada por guias treinados e qualificados em espeleomergulho com certificação internacional para mergulhos em cavernas. Uma das curiosidades dessa lagoa são os micro búzios, ou o que o restou deles. Parte dessas minúsculas conchinhas que forram o leito do rio foi pisoteada e destruída. As plantas aquáticas, antes abundantes no rio Pratinha, também sofreram interferência humana. Atualmente, o rio mais parece uma piscina.

Com cerca de 12 de quilômetros de extensão, a gruta possui a segunda maior flor de aragonita do mundo | FOTO: Reprodução/Blog Venturas |

Torrinha
A Torrinha não é a maior caverna do Brasil, mas é uma das mais completas, considerando-se a riqueza e diversidade de seus espeleotemas. No último levantamento da Sociedade Brasileira de Espeleologia, de 1994, a Torrinha aparece como a 13º maior do país, com 8.210 metros. No entanto, atualmente já há 13.300 metros mapeados, o que a colocaria em sétimo lugar.

Descoberta em 1850, a caverna Torrinha fica em uma propriedade particular em Iraquara. O atual proprietário e zelador da caverna, Eduardo Figueiredo da Silva, 45, conta que, na época, seu bisavô percorreu apenas 600 metros, trecho que corresponde ao primeiro dos três roteiros. Antes de entrar na Torrinha os visitantes recebem um capacete e orientações sobre o comportamento dentro da caverna. Não falar alto, não correr e não mexer nas formações são os principais pedidos.

O Poço Azul foi descoberto em 1920 por garimpeiros | FOTO: Jornal da Chapada |

Poço Azul
Aqui o luxo é poder banhar-se nas águas cristalinas. O azul vivo da água deve-se à luz que vem do sol. O atrativo pertence ao município de Nova Redenção e para visitá-lo é necessário pagar taxa de entrada. O lugar possui restaurante, estacionamento e loja de artesanato.

O poço tem 65 metros de profundidade, com águas ricas em calcário, e 110 metros de comprimento | FOTO: Branco Pires/Arquivo |

Poço Encantado
O Poço Encantado está localizado no município de Itaetê. Sua água é tão cristalina que não é possível perceber onde o meio aquático começa. As pedras localizadas a 50 metros de profundidade são vistas nitidamente, além do reflexo da luz que transforma a água em um espelho mágico. O encanto realmente acontece quando um raio de sol atravessa o poço, principalmente nos meses de abril a agosto, refletindo um azul límpido. Jornal da Chapada com informações do site Chapada Diamantina.com.br.

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