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Chapada: Produtores de café da região buscam Identificação Geográfica para agregar valor

Foto: Reprodução

Nos últimos anos, o antigo hábito de tomar um cafezinho tem se transformado e ganhado um quê de sofisticação, como o costume de apreciar um bom vinho ou degustar comidas exóticas. E o café da Chapada Diamantina, produzido nas montanhas localizadas no coração da Bahia, tem contribuído diretamente para o desenvolvimento do prazer de tomar um bom café, premiado no mundo inteiro.

Após começar a ganhar notoriedade internacional também pela sua produção reconhecida de cafés gourmet e especial, categorias da bebida e dos grãos considerados de excelência, os produtores buscam obter a Identificação Geográfica (IG). O grande diferencial é a qualidade do café que é produzido e comercializado por pequenos agricultores de cidades como Ibicoara, Barra da Estiva, Mucugê e Piatã.

Luciano Ivo, consultor do Sebrae e especialista em Inovação e IG, explica que, além de identificar a região que produz o café, a Identificação Geográfica é um fator de agregação de valor ao produto ou serviço em um mundo massificado por produtos iguais. Ele ressalta que a existência de um mercado cada vez mais competitivo, com alguns recursos naturais e econômicos verdadeiramente contingenciados, associado às sucessivas crises econômicas mundiais e locais, torna o tema especialmente oportuno. “O Sebrae, há mais de uma década, tem importante papel como agente identificador, estruturador e impulsionador de indicações geográficas no Brasil”, disse o consultor.

O agrônomo e secretário de Agricultura de Piatã, Glayco Barbosa, analisa a fase que atravessa o grão produzido na Chapada Diamantina. “O café é o ouro da Chapada, sendo exportado para vários países. O mercado está crescendo com qualidade reconhecida e isso agrega valor ao produto, chegando a 100% do preço praticado com o café convencional. Daqui já saiu café até para o Vaticano”, contou.

Glayco ressalta ainda a importância dessa busca por qualidade para agregar valor ao produto. “O nosso café ganha notoriedade e valor de mercado a cada dia. Para ter uma ideia, uma saca de café convencional custa cerca de R$ 430. O especial para cafeterias sai entre R$ 800 e R$ 1,2 mil. Já os de concurso, a comercialização está entre R$ 3 mil a R$ 17,8 mil”, explicou.

Para fomentar esse mercado, que têm atraído apreciadores e baristas de todo o mundo, o Sebrae iniciou, em 2016, o Projeto “Crescer no Campo – Café Chapada Diamantina” e vem desenvolvendo diversas ações, através de consultorias voltadas para a qualidade do café, com o objetivo de melhorar as práticas de colheita, pós-colheita e armazenagem.

Márcia Souza, técnica do Sebrae do ponto de atendimento em Seabra, ressalta a importância do acompanhamento e destaca a participação dos produtores que buscam esses avanços. “As consultorias têm despertado nos produtores o objetivo de produzir cada vez mais cafés especiais, aptos a participar de concursos de qualidade. Estamos trabalhando também com as soluções de inovação, através do Sebraetec, onde destacamos o desenvolvimento e registro de marca, desenvolvimento de embalagens, código de barras, site, e-commerce e mídias sociais”, explica.

Diagnóstico 
No primeiro trimestre de 2017, foi realizado, através de consultoria, um diagnóstico para avaliação do potencial do café, para indicação geográfica na região. O levantamento, realizado com acompanhamento técnico da Unidade de Gestão de Portfólio do Sebrae, indicou grande potencial para desenvolvimento do projeto, que deverá trazer benefícios futuros em qualidade, reconhecimento nacional, internacional, valorização do território, padronização, dentre outros efeitos positivos inerentes a uma Indicação Geográfica, quando bem estruturada e gerida.

As ações estão sendo realizadas com o objetivo de preparar os produtores de café da região para o pleito oficial de dois registros de Indicação Geográfica: um contemplando a Chapada como um todo, destacando toda a sua notoriedade no setor cafeicultor, e outro para a região de Piatã, município com a maior altitude de todo o Nordeste brasileiro. Piatã deve ser reconhecido oficialmente como um verdadeiro terroir produtor de cafés especiais.

Os municípios que farão parte do instrumento oficial que delimita a área geográfica serão definidos e aprovados pelo comitê gestor da IG ao longo do desenvolvimento do projeto. Luciano Ivo explica que a proposta é que, em uma das duas IG em estruturação, todo o território de identidade Chapada Diamantina seja contemplado.

“Estamos trabalhando para que todo o território possa utilizar o selo distintivo, garantindo assim a segurança da origem do produto a ser disponibilizado no mercado. Vale ressaltar que, para utilizar o selo, será obrigatório que os produtores que aderirem à IG cumpram aos requisitos destacados no regulamento de uso da indicação geográfica e controlados pelo Conselho Regulador”, ressaltou.

Premiações internacionais
O Café da Chapada já ganhou o status de Gourmet e tem sido premiado nos melhores concursos do mundo. De sabor marcante, a bebida é suave, com notas de melaço, frutas cítricas e vermelhas, acidez elegante e aroma intenso. Da região, também saem blends exclusivos, que são combinações de grãos e pontos de torra diferentes.

O produto já recebeu inúmeros prêmios, sendo várias vezes campeão baiano, brasileiro e até mundial. A produção da Chapada tem superado a de regiões tradicionais do Brasil, e já é considerado por grandes especialistas uma das origens dos melhores cafés do país.

Em 2017, o projeto “Café Chapada Diamantina” obteve um dos resultados mais expressivos no ano. A consultoria de qualidade do café proporcionou a melhoria de qualidade para 18 produtores, nos municípios de Ibicoara, Barra da Estiva e Mucugê, sendo que 15 chegaram a ser finalistas no concurso Cup of Excellence 2017.

O objetivo do projeto é reforçar a imagem dos produtos nacionais em todo o mundo e posicionar o Brasil como fornecedor de alta qualidade, com utilização de tecnologia de ponta decorrente de pesquisas realizadas no país. A iniciativa visa também expor os processos exclusivos de certificação e rastreabilidade adotados na produção nacional de cafés especiais, evidenciando sua responsabilidade socioambiental e incorporando vantagens competitivas aos produtos brasileiros.

O produtor da fazenda Floresta, no município de Ibicoara, Acácio Ribeiro, produz cerca de 500 sacas do café orgânico Serra do Sincorá por ano e já exportou para os Estados Unidos, Itália, Inglaterra e Austrália. Para ele, a capacitação é um fator importante para a busca da excelência e de outros fatores importantes para o escoamento da produção. “As consultorias estão nos ajudando a compreender melhor a gestão da empresa, além de todo apoio que o Sebrae para a área de marketing e participação em exposições e feiras relacionada. É um parceiro importante para os cafeicultores da Chapada”, avalia.

Mais resultados
A técnica do Sebrae em Irecê, Márcia Souza, explica que as consultorias já estão trazendo outros resultados positivos também para outros produtores da Chapada. “Apesar de realizada com apenas 18 produtores, a consultoria contribuiu para o aumento na quantidade de produtores de cafés especiais da região”. Márcia ressalta ainda a importância da realização das consultorias para padronizar e profissionalizar o mercado de café.

De acordo com a técnica, a ação de consultoria chamou a atenção dos demais produtores da região e também de uma grande empresa instalada em Mucugê, a Fazenda Progresso, que é produtora de batata e café. “A empresa já sinalizou interesse em realizar parceria com o Sebrae para fomentar essa ação com outros produtores, com a possibilidade de viabilizar beneficiamento do café e exportação, garantindo a aquisição, junto aos produtores interessados, com pagamento de preços diferenciados e bonificação pela qualidade percebida no mercado consumidor”, disse a técnica. Com informações de Agência Sebrae de Notícias Bahia.

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