segunda-feira ,24 setembro 2018
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Em busca de votos, candidatos apelam para apoiadores como ‘bengalas’ eleitorais

Ao longo da campanha, é possível ver um “sem número” de postulantes a cargos que precisam de “bengalas” para conseguir lograr algum tipo de êxito no processo eleitoral. Vide a enorme quantidade de candidatos que fazem questão de associar os próprios nomes a outros de maior peso para tentar, de alguma forma, impactar positivamente os eleitores.

Alguns casos são mais marcantes do que outros. No lado do governo, por exemplo, é recorrente a associação dos “candidatos do Correria”, numa referência direta ao slogan do governador Rui Costa (PT), postulante à reeleição e bem avaliado. Além dele, os nomes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-governador Jaques Wagner aparecem com frequência, num esforço para reeditar a lógica do “time”, largamente utilizada há algumas eleições.

O presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Angelo Coronel (PSD), talvez seja um dos grandes utilizadores do apoio alheio para tentar melhorar os índices nas sondagens pré-urnas. AO primeiro programa da chapa de senadores que concorrem ao lado de Rui exemplifica essa condição: muito mais tempo foi gasto fazendo referências a Coronel e a Lula do que a Wagner, um nome já consolidado e cujo potencial transferidor de votos foi auferido em 2014, quando fez Rui seu sucessor.

Do lado da oposição, a prática também é regular. O prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), não é candidato, mas é considerado o principal garoto-propaganda do grupo. O postulante oficial, Zé Ronaldo (DEM), faz questão de se associar à imagem do gestor da capital baiana, mesmo tendo ele sido bem avaliado nos períodos em que esteve à frente da prefeitura de Feira de Santana. Salvador é uma menina dos olhos mais vistosa para fins eleitorais, e Zé Ronaldo sabe disso.

Os candidatos ao Senado que completam a chapa do democrata também sinalizam essa “dependência” de ACM Neto como garoto-propaganda. Jutahy Magalhães Jr. (PSDB) já teve a participação do prefeito em peças e Irmão Lázaro (PSC) admitiu que espera um espaço na agenda do gestor para tê-lo nos programas eleitorais. Ainda que esteja melhor colocado que os adversários nas pesquisas, o cantor-deputado sabe que qualquer ajuda é bem-vinda.

A aposta em “bengalas” é tão grande no plano federal, por exemplo, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda é mantido como candidato, apesar do registro ter sido indeferido pelo Tribunal Superior Eleitoral, na expectativa de transferir votos para o futuro candidato do grupo – cuja bolsa de apostas coloca Fernando Haddad como certo.

Não há nada de ilegal ou imoral no uso de apoiadores durante a campanha eleitoral. Seu uso é tão regular e corriqueiro que todo eleitor naturaliza a aparição de “bengalas” na publicidade. No entanto, sempre é bom ressaltar que, por mais que haja a associação, nenhum candidato é a representação exata daquele espelho que tenta usar como base. Afinal, muletas deveriam ser soluções temporárias, na maioria das vezes.

 

 

Este texto integra o comentário desta quarta-feira (5) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Excelsior, Irecê Líder FM, Clube FM e RB FM.

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