domingo ,17 dezembro 2017
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Lençóis: Trabalhador rural quilombola de Lençóis é o segundo assassinado no estado

O crime aconteceu no Território Quilombola de Iúna em Lençóis | FOTO: Reprodução/Incra |

Crimes em Lençóis e Antônio Gonçalves, ocorreram em menos de uma semana; uma das vítimas foi atingida por mais de 10 tiros e teve cabeça esmagada

Dois moradores foram mortos em comunidades quilombolas da Bahia em menos de uma semana. O primeiro crime aconteceu no Território Quilombola Jiboia, no município de Antônio Gonçalves, Centro-norte baiano, na última quinta-feira (13). Segundo informações do delegado substituto Leonardo Virgílio Oliveira, o trabalhador rural José Raimundo Mota de Souza, 36 anos, estava em uma roça com o irmão quando aconteceu o crime.

“Ele saiu de sua residência por volta das 7h, junto com irmão e foram trabalhar em uma roça na Fazenda Morro. Eles permaneceram lá até as 15h, quando foram até o carro, uma D10, pegar mandiocas em outra roça, foram surpreendidos por um carro preto com quatro indivíduos”, contou o delegado.

Ainda de acordo com Oliveira, um dos homens foi em direção ao irmão de José Raimundo e o agrediu. Um outro suspeito atirou diversas vezes na vítima. José Raimundo foi baleado na cabeça, tórax e abdômen. Os suspeitos estavam com roupas camufladas e armados com pistolas.

Segundo informações da Comissão Pastoral da Terra (CPT), José Raimundo foi atingido por mais de 10 tiros e teve a cabeça esmagada. Ainda de acordo com a CPT, os suspeitos fugiram atirando para cima.

A CPT emitiu uma nota informando que José Raimundo fazia parte da coordenação estadual do Movimento dos Pequenos Agricultores na Bahia, e que contribuía há anos “com a luta pela regularização do território quilombola da sua comunidade”. Mas desde o ano passado, José Raimundo tinha se afastado das atividades do movimento, após o assassinato do líder quilombola conhecido como João Bigode, no mesmo município.

Segundo o delegado Leonardo Virgílio, a polícia não tem informações de que José Raimundo atuava como líder na comunidade quilombola. Em nota, a Superintendência Regional do Incra na Bahia informou que a vítima presidia a associação dos trabalhadores quilombolas da comunidade. O órgão lamentou a morte do trabalhador e informou que está aguardando as investigações sobre o crime.

A CPT também lamentou a morte do trabalhador. “Exigimos das autoridades responsáveis medidas urgentes para investigação de mais este crime e punição dos culpados!”, diz a nota emitida pela comissão.

Lençóis
O último crime em comunidade quilombola aconteceu neste domingo (16), no Território Quilombola Iúna, em Lençóis, na Chapada Diamantina. Lindomar Fernandes Martins, 35, foi morto a tiros numa estrada que dá acesso ao povoado, durante a madrugada.

Segundo informações da delegada titular de Lençóis, Mariela Campos Sales, Lindomar estava sozinho no momento do crime e não há detalhes de como aconteceu o assassinato. “A gente só tem a informação de que teve um disparo de arma de fogo, mas ainda não temos a conclusão da perícia”, explicou. Lindomar trabalhava em uma pousada no Centro de Lençóis e não há informações sobre o que pode ter motivado o crime.

Familiares de Lindomar já foram ouvidos pela polícia. Segundo a delegada Mariela, eles negaram que a vítima fosse liderança na comunidade ou tivesse algum envolvimento com conflitos de terras. “A gente ainda está investigando isso. Estamos ouvindo populares da região, porque é um povoado muito pequeno”, afirmou a delegada.

Delimitação de terras
Segundo o Incra, o Território Quilombola Jiboia tem o Relatório Técnico de Identidade e Delimitação (RTID). O órgão informou, em nota, que “notificou os proprietários dos imóveis rurais inseridos no perímetro e atualmente transcorre o prazo de 90 dias em que cabe a contestação por parte dos proprietários”.

Já a Território Quilombola Iúna também está com o RTID pronto, mas ainda será apresentado ao Comitê de Decisão Regional da instituição. O relatório é uma das etapas do processo de delimitação de um território quilombola, reivindicado por remanescentes de quilombos.(Correio 24 horas)

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Um comentário

  1. A disputa pela terra está no centro das questões na área. Grandes fazendeiros, investidores em Turismo Rural, políticos locais gananciosos e outras causas são a base das mortes no local.

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