sexta-feira ,19 outubro 2018
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Lençóis/Ba: Segunda vez em menos de 30 dias, moradores fecham a BR 242 por falta de água. Houve confronto entre Policiais e moradores.

A BR 242 foi fechada nas duas direções. Manifestantes pediam água para consumo humano vinda do Rio Utinga. FOTO: Chapada News

Mais uma manifestação fechou a BR 242 por mais de duas horas no povoado de São José, nas proximidades de Tanquinho de Lençóis/Ba, na manhã desta terça-feira (14). Esta é a segunda manifestação em menos de 30 dias. A primeira aconteceu no dia 17 de janeiro na mesma localidade na altura do Km 320, onde os moradores fecharam as duas pistas da BR. Desta vez, o triste é houve confronto entre moradores e policias. Como da primeira vez a comunidade reclama que estão sofrendo com a falta de água. Sempre foi abastecida pelo Rio Utinga, que outrora era perene, mas de algum tempo para cá, vem se mostrando temporário. A população acusa que a água do rio vem sendo usada por grandes empresas com bombas de alto desempenho para irrigar plantações de bananas e outras agriculturas, na região de Utinga e Wagner e tudo com conhecimento do Governo do Estado. Por essa razão, o rio vem secando e diminuindo seu fluxo, e esse baixo fluxo só acontece após o leito passar justamente por tais cidades. Os moradores informaram que já procuraram o INEMA e demais órgãos públicos, pedindo principalmente o lacre das bombas de alta pressão. Vale lembrar que dias após a primeira manifestação o INEMA suspendeu irrigações às margens do Rio Utinga por três dias, mas tudo infelizmente voltou ao normal e as bombas voltaram a todo vapor.

Na terça feira dia 07 o secretário do Meio Ambiente (Sema), Geraldo Reis, sobrevoou o leito do rio, passando pelas cidades de Utinga e Wagner, onde se pôde verificar os efeitos da seca na região, a ausência de mata ciliar e o assoreamento de alguns trechos, “Será necessário um esforço conjunto de toda população ribeirinha, movimentos sociais, povos indígenas, produtores agrícolas e comunidade, para o uso racional das águas e ações de proteção e preservação do rio Utinga”, afirmou Rei.

Fecharam a BR 242 por um período longo, segurando todos os carros. FOTO: Chapada News

Ontem (13), o governador Rui Costa recebeu na Governadoria, em Salvador, prefeitos e produtores de vários municípios da Chapada  para debater medidas para controlar e monitorar a vazão do Rio Utinga. “Queremos ouvir todas as sugestões e o depoimento de quem conhece a área e buscar soluções negociadas, porque na escassez nós precisamos ter bom senso e equilíbrio para priorizar o abastecimento humano, mas cuidar também da produção agrícola e criação de animais”, afirmou o governador. Porém, os moradores alegam que não lhes dão nenhuma resposta satisfatória, por esse motivo, viram neste segundo protesto na BR 242 como a melhor forma de chamar mais uma vez a atenção das autoridades competentes para sua situação. Segundo informações o Governo do Estado já vem realizando ações sistemáticas para recuperação e manutenção da barragem e preservação do Rio. Ao todo, são R$ 15 milhões em investimentos previstos e realizados nos municípios de Utinga, Wagner, Lajedinho e Lençóis, para perfuração de poços, construção de sistemas simplificados de água, operação e manutenção da Barragem da Cabeceira do Rio (Utinga), assistência técnica, entre outras intervenções. Para os próximos 15 dias, será apresentado aos prefeitos da região um plano de ação emergencial que garanta o abastecimento de água para consumo humano. Essa é uma situação muito séria e o Portal Chapada News vai acompanhar de perto as reivindicações e as soluções.

O rio Utinga, subsistema hidrográfico integrante da Bacia do Rio Paraguaçu, é um importante curso de água para o consumo humano e produção agrícola dos municípios de Utinga, Wagner, Lajedinho e Andaraí. A bacia hidrográfica formada pelo rio abrange uma área de aproximadamente 3.000 km2, e sua água é utilizada para consumo humano da população desses municípios. Com tamanha importância para o desenvolvimento socioeconômico da região, o rio Utinga é hoje um tesouro ameaçado. Com o uso irregular de suas águas para irrigação, a seca, a poluição e o desmatamento da mata ciliar, o nível de suas águas é cada vez menor.

Viaturas danificadas pelo confronto com os manifestantes. FOTO: Chapada Notícias
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Um comentário

  1. É válida está luta dos ribeirinhos em busca da água para consumo humano, o capitalismo é Vorax ele não olha para os efeitos colaterais de ações desastrosas como estas.

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