segunda-feira ,22 outubro 2018
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Mais da metade dos cadeirantes não encontra banheiro acessível, diz estudo

Foto: Divulgação / CNJ

Ir ao banheiro e usar o transporte público fazem parte do dia a dia de todos. Para pessoas que utilizam cadeiras de rodas, no entanto, essas atividades simples se tornam desafios. Mais da metade dos brasileiros cadeirantes (55%) não consegue encontrar um banheiro que os atenda, segundo um estudo internacional realizado pela ComRes para a Toyota Mobility Foundation.

O analista de inclusão e diversidade Vinicius Schmidt, 28, conta que evita utilizar banheiros públicos porque já sabe dessa dificuldade. Para ele, outra dificuldade além de encontrar os locais é que eles estejam utilizáveis. “Ou eles estão trancados ou deixam aberto e fica um nojo”, relata. “Já fui a vários em shoppings que não tinham o menor cuidado.”
?Johnny River dos Santos, 37, passa por situações parecidas. Ao marcar os happy hours da empresa, ele diz que sempre é observado se o local possui acessibilidade. “Há estabelecimentos que não estão bem adaptados”, afirma. “Várias vezes, trancam porque tem muita utilização, e tenho que procurar chave para entrar. Eu entendo, mas é ruim.”

Os dois evitam também usar o transporte público por conta das dificuldades de inclusão encontradas. “Uma vez, o elevador [que leva o cadeirante para dentro do ônibus] parou de funcionar. O funcionário consertou [no terminal] e me deu um martelo, caso desse problema durante a viagem”, conta o analista sobre uma situação que passou em Florianópolis.

Ele diz que, segundo a Associação Florianopolitana de Deficientes Físicos (Aflodef), 75% da frota é acessível. “Isso vai contra a lei, que diz que tem que ser 100%”. A falta de um transporte público totalmente adaptado leva às dificuldades apontadas pela pesquisa, em que 41% dos usuários de cadeira de rodas responderam ter de esperar por vários ônibus ou trens antes que surgisse um com espaço para acomodá-los. Além disso, cerca de um quarto (23%) teve entrada recusada nos transportes públicos.
Apesar disso, Johnny acredita que a situação vem melhorando. “Hoje, enxergo que está mais acessível. Claro que está longe do ideal, mas antigamente era mais complicado. A sociedade vem enxergando [o cadeirante] como uma pessoa normal, embora ainda exista discriminação.”

Desafio para melhorar
A pesquisa realizada pela ComRes –uma das agências do Conselho Britânico de Pesquisa– ouviu 575 usuários de cadeira de rodas de Brasil, Reino Unido, Estados Unidos, Índia e Japão. Foram selecionadas pessoas em cadeiras de rodas no momento da entrevista ou que tivessem usado por um período de seis meses nos últimos cinco anos. A base para a estimativa de respondentes foi a taxa de incidência disponibilizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O estudo foi encomendado como parte do Desafio Mobilidade Ilimitada, ação que irá investir US$ 4 milhões (cerca de R$ 15,63 milhões) em soluções que melhorem a qualidade de vida dos cadeirantes. Equipes ao redor do mundo podem participar com tecnologias capazes de melhorar a mobilidade e a independência de pessoas com paralisia nos membros inferiores. Para inspirar a criação dessas soluções, o desafio convida cadeirantes ao redor do mundo para participar de uma conversa global e virtual utilizando a hashtag #MyMobilityUnlimited. As inscrições se encerram em 15 de agosto, e o trabalho vai até 2020, quando os vencedores serão anunciados em Tóquio.

 

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