domingo ,15 setembro 2019
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Nova condenação de Lula fragiliza discurso de vítima e impõe derrota mais severa ao petista

A nova sentença de Luiz Inácio Lula da Silva no caso do Sítio de Atibaia confirma que o cerco se fechou completamente para o petista. Até outubro de 2018, a defesa do ex-presidente insistiu na tese de que havia uma perseguição do então juiz Sérgio Moro e tentou a suspeição também da juíza substituta, Gabriela Hardt. Agora são outros quinhentos. Lula é duplamente condenado em inquéritos com origem na Operação Lava Jato e o argumento de preso político fica muito mais frágil.

Em um trecho da condenação a 12 anos e 11 meses de prisão, por exemplo, a magistrada ressalta que a decisão teve origem nos autos, documentos e depoimentos – e sugere que as confirmações por órgãos colegiados da condenação no caso do tríplex do Guarujá desmentem a tese da defesa. É uma resposta à insistência de aliados de Lula de que o Judiciário brasileiro age com objetivo de pôr fim à carreira política do petista. Talvez o ocaso do ex-presidente aconteça, mas muito mais como resultado das pontas soltas deixadas no processo: tanto sobre as indicações de agentes para diretorias da Petrobras, quanto sobre o recebimento de vantagens indevidas por partidos políticos e representantes desses agrupamentos.

Há muito se fala que o caso do Sítio de Atibaia teria muito mais elementos que ligariam o ex-presidente ao imóvel do que o tríplex do Guarujá. Nas 360 páginas, a juíza traz depoimentos de executivos da Odebrecht e da OAS, do próprio Lula e também de integrantes da família Bittar. O sítio, inclusive, é tratado todo o tempo como propriedade de Fernando Bittar, porém as benesses realizadas pelas empreiteiras teriam o ex-presidente como beneficiário. E nesse ponto as duas famílias garantem que são apenas uma, então é quase que uma confissão de culpa de que o imóvel era compartilhado entre os Lula da Silva e os Bittar.

Marcelo Odebrecht e Leo Pinheiro, dois dos peixes grandes presos pela Lava Jato, também deixaram claro em depoimentos que investiram na propriedade como “agradecimento” a Lula e que os recursos teriam origem na chamada “planilha Italiano”, no caso da Odebrecht, numa referência ao ex-ministro Antonio Palocci. São elementos que podem ser aferidos por e-mails como os indexados pelo herdeiro de Norberto, por exemplo.

Logicamente, uma parcela expressiva de aliados vai manter o discurso de que Lula não é culpado por crimes de corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro, como impõe a sentença desta quarta-feira (6). Parte dessas pessoas acredita piamente que as grandes empreiteiras fizeram benesses num sítio que o ex-presidente iria utilizar apenas como um lapso de bondade, algo muito comum no grande empresariado brasileiro.

O petista pode até não ter pedido para que houvesse melhoramentos na propriedade de descanso da família Bittar-Lula da Silva. Porém ninguém é completamente cego para acreditar que existe almoço grátis nas delicadas relações entre a esfera pública e o setor privado no Brasil. Ou então talvez seja melhor acreditar também que Stalin ganhou o prêmio Nobel da Paz duas vezes ou que Karl Marx se arrependeu do que defendeu durante a II Guerra Mundial. Afinal, de fake news a internet está cheia mesmo.

 

Fonte: Bahia Noticias

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