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Odebrecht pagou R$ 7,3 milhões em propina para fraudar licitação do Maracanã

Foto: Divulgação / Secretaria de Obras

Executivos da empreiteira Odebrecht relataram, em delação premiada, que a empresa pagou R$ 7,3 milhões em propina para fraudar a licitação da reforma do Maracanã.

O montante seria destinado ao ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, a secretários e membros do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). No entanto, os acordos não foram cumpridos por causa da Operação Lava Jato. Cabral, que está preso desde novembro, teria recebido cerca de R$ 6,3 milhões em propina, de acordo com Benedicto Barbosa da Silva Junior, responsável pelo Setor de Operações Estruturadas da empresa. Já o então presidente do TCE-RJ, Jonas Lopes, teria recebido R$ 1 milhão.

De acordo com a Agência Brasil, o valor seria pago para que o tribunal aprovasse o edital de licitação, mas o pagamento em parcelas foi interrompido devido à operação da Polícia Federal. “No final do ano [2014], fui convocado pelo presidente do tribunal, e ele me cobrou a continuidade do pagamento. Fiquei sem graça, estávamos no meio da Lava Jato. Delicadamente, pedi a ele que lesse a capa do jornal O Globo que estava sobre a mesa [que informava sobre a prisão de empreiteiros]. Ele ficou super sem graça, virou-se para mim e disse que entendia a situação, mas que estava sendo muito pressionado pelos outros conselheiros”, disse o diretor da Odebrecht, Leandro Azevedo.

Marcos Vidigal do Amaral afirmou que o consórcio teria que ser composto por Odebrecht, Andrade Gutierrez e Delta, mesmo que esta última não tivesse qualificação técnica para a obra. “Era uma questão política. O Sérgio Cabral havia solicitado a entrada da Delta com a participação de 30%. A Odebrecht [que tinha participação de 70%] ficou com 49% e a Andrade Gutierrez [que tinha 30%] ficou com 21%”, explicou.

O pagamento da primeira parcela dos R$ 4 milhões teria sido feito no escritório de Jonas Lopes Neto, filho do ex-presidente do TCU. O contrato da reforma do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014 era avaliado em R$ 705 milhões; ao final da obra, os cofres públicos tiveram que desembolsar mais de R$ 1,2 bilhão. De acordo com os depoimentos dos executivos, Cabral ainda teria recebido vantagens pelas obras da Linha 4 do Metrô carioca, do Arco Metropolitano e do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) das Favelas.

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