quarta-feira ,16 outubro 2019
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Palmeiras: Pontos de cultura estão fechados na cidade.

Há mais de um ano e três meses, três relevantes pontos de cultura se encontram fechados no município de Palmeiras, na Chapada Diamantina: o Museu da Cidade, a Casa de Cultura e a Biblioteca Municipal Maria Elisa Batista. Esses locais atraem turistas e visitantes para a cidade, movimentam a economia local, valorizam a cultura e divulgam o turismo do município para outros estados e países.

Herbert Queiroz, produtor cultural e responsável por trazer o museu e a Casa de Cultura para o município, fala da importância que estes pontos têm para a cultura local e proporcionam para os visitantes, turistas e a comunidade. “Quando o visitante chega à cidade e se depara com esses pontos fechados, eles saem com uma má impressão do lugar, que o próprio município não dá importância devida a sua historia e sua cultura”, alega.

Queiroz também sugere para o município abrir esses pontos nos fins de semana e feriados. “O ideal é que esses pontos funcionassem nesse período, devido ao fluxo turístico, pois é quando recebemos um maior número de visitantes, e de segunda a sexta, abrir umas quatro horas por dia já seria suficiente”, declara.

Ele também fala da importância de ter esses pontos de cultura funcionando antes da realização da I Feira Literária de Palmeiras (Flipa), que acontecerá nos dias 5 e 6 de dezembro. “É um contraditório você realizar uma Feira Literária, sendo que os principais pontos de cultura da cidade estão sem funcionar”, relata.

Segundo a secretária de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Poliana Castro, os pontos de cultura do município serão abertos antes da realização da Flipa. “Esse ano ainda, até o final de novembro, vamos reabrir todos esses pontos”.  O prefeito Ricardo Guimarães também afirma que já está articulando isso.

Biblioteca

A biblioteca está fechada desde junho de 2018. Ela foi interditada para reforma e até hoje nada foi feito no prédio. Um dos problemas é o telhado. Em épocas de chuvas, a funcionária Jubenita do Nascimento precisava cobrir as estantes. “Quantas vezes eu levava e comprava lona para cobrir prateleiras de livros quando chovia?”, declara a funcionária.

A auxiliar da biblioteca foi transferida para a Escola Municipal Souto Soares após fecharem a instituição, que era bastante frequentada pela comunidade, visitantes e alunos. Diariamente, uma média de 35 estudantes procurava o local para fazer pesquisas. “Muitas obras saiam de lá, principalmente os romances de Jorge Amado. Os estudantes utilizavam as mesas e o espaço para reunião de trabalho em grupo e atividade escolar”, afirma Jubenita.

Para o leitor José Florisvaldo, a biblioteca é muito importante para o município. Ele sempre via alunos, turistas e a comunidade na instituição para fazer pesquisas. Florisvaldo é um amante da leitura e adora ler autores brasileiros. “Hoje estou comprando os livros e às vezes os pego emprestado com um amigo. Estou muito chateado, em ver os livros jogados no chão e a biblioteca toda arrebentada”, conta.

Conforme a secretária de Educação, a biblioteca está fechada devido à falta de condições para receber o público e por problemas na estrutura. De acordo com ela, faltam recursos financeiros para começar a obra. “Conversamos com o prefeito. Se caso não conseguirmos a mão de obra pela prefeitura, a gente pode conseguir voluntário e fazer um mutirão. Já temos pessoas preparadas para nos ajudar. O município entraria com o material da reforma”, explica.

Poliana também diz que a biblioteca precisa de uma reforma no acervo: “O acervo está bem decadente, desatualizado. É preciso fazer uma triagem, talvez nem sirva mais, não por falta de mau uso, mas questão de atualidade”. Ela informou que está com um projeto para ser enviado à Fundação Pedro Calmon, do Estado da Bahia, para conseguir um acervo atualizado para a biblioteca.

Museu da Cidade

A memória de Palmeiras é representada pelas primeiras famílias que povoaram o município. Seus móveis, utensílios, fotos e objetos expostos retratam esta época. É uma forma de preservar a história da comunidade e contar histórias desde a época do garimpo. O museu é um lugar para pensar e refletir sobre o tempo, como acompanhar, por exemplo, as mudanças das mobílias. Ele passou por uma reforma recente, mas continua trancado.

A estudante Maria Luiza, 12, revela o quanto o museu é importante para a cidade. Ela fica triste e preocupada sobre como as pessoas que não têm acesso às informações históricas do município vão fazer para se informar sobre a cultura local: “O museu retrata coisas antigas que aconteceram na nossa cidade, então seria bom as pessoas conhecerem, poderem ver e saber a história do passado, isso é muito importante. Ver o museu fechado me deixa triste e preocupada com as gerações futuras”, afirma.

Casa de Cultura

Direcionada ao público em geral, a Casa de Cultura conta com uma exposição permanente de vestimentas e quadros com resumos das principais manifestações culturais populares. Esse espaço também pode ser utilizado para apresentações artísticas, culturais e para exposições de pequeno porte. Embora não apresente problemas em sua estrutura física, essa instituição se encontra inativa atualmente.

Secretária acredita que o museu e a casa de cultura não estão abertos porque existe a dificuldade em remanejar alguém do quadro de funcionários para ficar nesses lugares.

Nelcy Freire, historiadora formada pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL), afirma que a Casa de Cultura é referência da memória: “É um meio para que a população palmeirense e muitos forasteiros ou turistas conheçam um pouco as manifestações culturais existentes ou que já houve em nossa cidade”.

 A historiadora diz ainda que esses órgãos são de suma importância para a população e para as pessoas que visitam Palmeiras: “A nossa cidade é rica não somente da parte cultural, mas também rodeada por belas paisagens. Cuidar, preservar das manifestações culturais ou patrimônio cultural garante o direito de outras gerações conhecerem suas origens”, conclui.

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