domingo ,20 outubro 2019
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Passageiro de Seabra, relata a noite de horror que viveu no assalto a micro-ônibus na Br 242

O Garotinho recebeu no Resumo da Manhã desta terça-feira (21), uma das vítimas do assalto que ocorreu na noite do último domingo (18), quando os passageiros do micro-ônibus da Prefeitura de Seabra na Chapada Diamantina, foram surpreendidos por homens armados que anunciaram um assalto, na BR-242, no trecho da rodovia entre os municípios de Itaberaba e Rafael Jambeiro. A vítima relatou os momentos de horror vivenciados naquela noite.

O ônibus da Sec. de Saúde de Seabra, tem o costume de sair da cidade as 20h, chegando na Capital por volta das 04h, do dia seguinte.

Nerisvaldo abre a entrevista perguntando. ”Em que momento perceberam que havia uma ação diferente na viagem?”.
A vítima, responde: “Estávamos na estrada, a maioria acordada, devido aos buracos na estrada. Em um certo momento vimos várias carretas paradas com o sinal de alerta acionado. Quando chegamos bem perto, o motorista falou” Rapaz é um assalto”. Neste momento ele (o motorista), parou e deu macha ré. Mas nesse momento o primeiro assaltante, já veio em nossa direção mandando parar e já atirando. O motorista manobrou o micro-ônibus e parou. Não demorou muito o assaltante veio em direção a janela do motorista gritando e batendo com a arma no vidro, “Abre a porta, abre a porta”. O motorista respondeu, “ a porta está aberta”. Mas o assaltante não tinha percebido que a porta estava aberta e continuou gritando. Quando o assaltante percebeu que a porta estava aberta, entrou e falou “Bora, todo mundo ai , dinheiro e celular”. Depois de anunciar o assalto, já chamou o comparsa, “vem cá p…(palavrões), é um ônibus, é um ônibus”.
Depois de chamar o comparsa, ele retorna para dentro do ônibus e pede para todos descerem do veículo. “Bora, desce todo mundo. Vou contar até dez pra descer todo mundo, se não vou atirar”.
Importante lembrar que o primeiro assaltante estava com uma arma de menor calibre, já seu comparsa com uma maior.
Continuando o relato o passageiro contou que o primeiro assaltante foi em dirção do motorista já pedindo a carteira e o celular. No banco ao lado do motorista, também viajava seu pai, o qual tem deficiência auditiva e dificuldade para andar. O motorista falou para o assaltante da situação de seu pai, mas a resposta foi a mesma, ”vai descer sim, vai descer também”, seguido de agressões. Quando todos desceram do micro-ônibus, pediram para que todos deitassem no asfalto e começaram a fazer uma revista geral nos passageiros. “Em um certo momento, escolhia um e começava a bater, pegou o motorista e chutou a cabeça dele”.
Em outro momento, segundo o relato desse passageiro à Nerisvaldo Sobrinho, ele diz que os bandidos abordaram um dos passageiros que tinha uma tatuagem no braço. Esse bandido num tom raivoso, apontou a arma na testa dele e gritou “Esse aqui é vagabundo, vai morrer agora”.
Nerisvaldo perguntou sobre ações desencontradas entre os bandidos. Que tentavam assaltar as mesmas vítimas duas vezes pedindo as mesmas coisas?

A vítima explicou: “Na hora em que o ônibus parou, o primeiro assaltante já chegou pedindo carteira e celular. Assim que descemos do ônibus, deitamos e levantamos por algumas vezes. O segundo comparsa, de forma truculenta, fez o mesmo pedido. “Quero carteira e celular”. Aí respondemos,” Já passamos pro seu colega agora, não temos mais nada”. Só que mesmo assim de forma truculenta, ele continuou pedindo as carteiras e os celulares.
Em um dado momento o segundo assaltante estava batendo no motorista, aí foi em direção a um passageiro e começou a bater bastante. O primeiro assaltante pediu para não bater tanto. E o comparsa respondeu. “Tem que bater sim. Se não ele não dá o dinheiro”.
Depois de alguns minutos sofrendo com as ações dos bandidos, surge um momento de trégua. Aparece na pista um veículo de passeio, provavelmente com músicos que vinham das festa de Mucugê. Esse veículo parou e deu macha ré. “Não deu outra.Foi alvejado com vários tiros, parando rapidamente. Esses músicos que estavam no veículo, apanharam bastante”. Segundo a vítima que nos relata os fatos
“Eles chegaram nos músicos pedindo o dinheiro do show. “Falaram dá o dinheiro do evento (Feira Literária de Mucugê)?”. Os músicos responderam que o dinheiro ia ser depositado em conta. Aí os bandidos responderam” vocês vão morrer agora”. Aí que os músicos apanharam. Tinha momentos que os músicos gemiam de dor, e os bandidos falavam que não era pra gemer não. Depois de bater nos músicos, um dos bandidos pegou um cavaquinho e começou a tocar para os passageiros “Vocês gostam do que? Querem ouvir o que? Querem ouvir um pagodinho aí ? Falou um dos bandidos”. Relata o passageiro.
Depois de uma hora de agonia, um dos bandidos gritou. “Vocês não vão sair daqui. Porque ali logo na frente tem outra equipe da gente, se alguém sair vai cair na bala todo mundo”. Lembrando que essa equipe da frente estava realizando outro assalto a outro Ônibus. Esse outro ônibus tinha cerca de 40 passageiros e viajavam em um ônibus da empresa Cidade Sol que havia deixado o município de Mucugê, em direção à capital, trazia jornalistas, professores e outros profissionais que também retornavam da Feira Literária de Mucugê (Fligê).


Depois de uma hora, os passageiros em comum acordo com o motorista, decidiram seguir viagem, e durante um curto percurso observaram várias carretas abandonadas no acostamento da via. Por volta das 5 horas da manhã chegaram em Feira de Santana para registrar ocorrência e dar sequência a viagem.
O passageiro que deu a entrevista a Nerisvaldo, falou que estava indo a Salvador, levar o seu filho de 9 anos em um tratamento. A pesar de ter apanhado, ouvir um disparo a poucos centímetros de seu ouvido, agradeceu a Deus por todos terem saído vivos dessa triste história.

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