terça-feira ,19 junho 2018
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Polêmica: Postagem de bar no Instagram provoca grande revolta em Vitória da Conquista

Um bar de Vitória da Conquista está sendo denunciado por diversas mulheres após uma publicação feita pela rede social Instagram nessa última sexta, 25. O post, que foi retirado do ar, trazia a foto de três mulheres penduradas e amordaçadas, e a legenda “estoquem comida” complementava a mensagem, elaborada pelo administrador da rede social do Cana Café Bar. O texto faz analogia à atual falta de combustíveis no país, causada pela greve dos caminhoneiros.

Rapidamente, diversas mulheres se pronunciaram por meio de comentários na publicação e, antes mesmo que ela fosse excluída, prints foram tirados e republicados por conquistenses em seus perfis, sendo a maior parte deles de mulheres que cobram uma postura da justiça. “Sinto nojo e indignação. Como esse monstro pode achar normal uma mulher pendurada e amordaçada e compará-la com um pedaço de carne para ser estocada? Isso precisa acabar”, disse Luiza Armua, maquiadora profissional que usou sua conta no Instagram para denunciar o ocorrido.

Uma postagem seguinte, em apoio à greve que ocorre no país, recebe comentários de centenas de mulheres. Uma delas, a estudante de Educação Física Maviniê Nunes, pede mais respeito: “uma mistura de nojo, raiva e indignação. Estamos cansadas de ser vistas como carne. Mulher pode ser o que quiser, mas nunca vai ser um objeto sexual”, comentou.

Para a professora do curso de Direito da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia e doutora em Direito da Mulher, Luciana Silva, a imagem tipifica apologia ao crime, de acordo ao que estabelece o Artigo 286 do Código Penal. “Entendo ser possível uma representação ao Ministério Público Federal para que entre com uma ação pedindo danos morais coletivos, já que esse público atenta contra os direitos humanos das mulheres”, afirmou.

O bar: postagens polêmicas e políticas para atrair mulheres

Após toda a repercussão, o Cana Café se manifestou em seu perfil no Instagram com uma outra publicação, acompanhada de um comentário debochado sobre a manifestação das mulheres: “Que mimimi é esse com bestagem, tão querendo fazer tese de mestrado por isso, esses estudantes de orelha de livro kkk. Não tem nada melhor pra fazer uma postagem, que tá nos grupos, que foi retirada” (sic).

Novamente, centenas de internautas indignados com a postura do administrador da conta se manifestaram com comentários de repúdio. Por meio do perfil do Avoador no Instagram, a nossa equipe de reportagem enviou mensagem via direct para o administrador da conta do Cana Café na rede social, solicitando um posicionamento acerca do assunto. Porém, até o momento da publicação desta matéria, não obtivemos resposta.

 

O bar, que fica em uma região periférica da cidade, é famoso por condutas machistas: na maior parte de seus shows, a entrada de mulheres é grátis e, em algumas noites, o estabelecimento oferece bebida à vontade para as frequentadoras. Essas informações estão nos posts divulgação das festas nas redes sociais, Twitter e Facebook.

Na mesma rede social em que aconteceu a polêmica, estão imagens de mulheres no bar, vídeos com conteúdo pornográfico e um vídeo que idolatra os homens. “Um brinde a nós, homens maravilhosos, absolutos, portadores da sedução. Que as nossas sejam nossas, que as deles sejam nossas e que as nossas nunca sejam deles”, diz a narração do vídeo compartilhado pelo estabelecimento.

Violência contra a mulher: das piadas à agressão física

O Brasil registra 1 estupro a cada 11 minutos. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em setembro do ano passado. A pesquisa também traz um dado alarmante sobre a violência física: a cada 7,2 segundos, uma mulher é agredida no país.

Para Júlia Maia, que sofreu com a violência doméstica por parte de seu ex-companheiro, músico da cidade, a “piada” feita pelo bar conquistense tem relação com o comportamento de agressão dos homens. “É por causa desse tipo de pessoa/empresa que meu agressor segue sendo celebrado na cidade, enquanto eu e suas vítimas somos difamadas e ridicularizadas”, comenta.

Para ela, há uma postura de conivência do meio artístico da cidade com esse tipo de atitude. “Se fosse um assassino, traficante, ninguém contrataria.. mas bater em mulher não tem problema, né?”, desabafa. O telefone 180, canal da Central de Atendimento à Mulher, é utilizado para receber denúncias em todo o país. // Blog Avoador-Uesb.

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