sexta-feira ,19 janeiro 2018
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Problema de Rui para chapa majoritária vai além da matemática básica por Fernando Duarte

Foto: Manu Dias/GOVBA

O governador Rui Costa (PT) voltou a afirmar nesta segunda-feira (8) que vai encontrar espaços para os aliados e que a união será um dos motes da campanha eleitoral de 2018. O discurso, feito em entrevista à Tribuna da Bahia, é bonito e coeso. Afinal, política se faz com diálogo e Rui, principalmente em ano eleitoral, tem que estar disposto a conversar e ouvir as demandas daqueles que o apoiaram ao longo do mandato e que almejam espaço na chapa majoritária das próximas eleições. A questão, todavia, é mais do que matemática. São aliados demais, com interesses demais, para apenas quatro vagas na chapa.

A única garantida é a do próprio Rui. Todas as demais ainda estão em avaliação e, por mais que o governador adie o posicionamento, PSD e PP terão prevalência para garantir uma cadeira. E não é por uma questão de posicionamento político. Entre as características que fazem de Rui um bom gestor está o seu pragmatismo. E PSD e PP detém um número expressivo de prefeituras, além de bancadas generosas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa da Bahia. João Leão pode até ser “bonitão”, mas não é o papo do vice-governador que vai ser determinante para a permanência dele na chapa. Para além dessas duas siglas, o grande coringa de Rui é o ex-governador Jaques Wagner. O ex-ministro é cotado para o Senado e pode ter a vaga negociada com outros partidos para evitar um racha na base aliada. A hipótese seria remota, mas não descartada. Afinal, há uma tensão explícita, principalmente com o PSB, para que a senadora Lídice da Mata faça valer o “direito de reeleição” para que a aliança histórica se mantenha – ainda que, em 2014, Rui e Lídice tenham estado em palanques opostos. Outro partido que almeja espaço é o PCdoB, porém não é preciso ter dons premonitórios para saber que é uma batalha praticamente perdida.

O partido não possui densidade eleitoral suficiente para pleitear uma vaga, ainda que seja o mais antigo representante da esquerda em atividade no Brasil. Rui ainda tem que aplacar a ânsia do PR, principalmente de Ronaldo Carletto, caso venha a se filiar ao partido, para não perder um naco relevante de prefeitos do PP. Diante desse cenário, Rui tem vagas de menos para candidatos demais. Só não vale fazer analogias com futebol, dizendo que possui mais jogadores disponíveis do que os adversários, em mais uma provocação à oposição. Afinal, o primeiro grande erro dele enquanto governador foi comparar policiais militares em confronto com atacantes na frente do gol.

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