segunda-feira ,23 outubro 2017
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SEABRA: HOSPITAL FREI JUSTO VENTURE TEM ALGUM SEGREDO?

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Não caberia pergunta melhor para descrever a reunião ocorrida na última quinta-feira (06) entre os funcionários do Hospital e alguns membros-diretores dessa instituição. Os funcionários se indignaram e questionaram muito. Queriam respostas e sem elas iriam entrar em greve.
Estavam todos de preto ou com faixas pretas nos braços em sinal de repúdio ao desrespeito que eles e o Hospital estão sofrendo. Vale ressaltar que, entre outras mazelas, eles estão com salários, atrasados e quando recebem é apenas 40% valor devido.
Encontravam-se presentes 8 membros da SOASE (Associação à qual o Hospital pertence).
Iniciou com a Diretora esclarecendo os mesmos pontos citados em carta aberta publicada anteriormente pelos funcionários e que foram abordados em entrevista dada a Nerisvaldo Sobrinho, na segunda-feira (03), Radio Nova FM 99.7 e publicada AQUI. São eles: FGTS e INSS atrasados e que ela está pagando parceladamente, ações judiciais de funcionários que ela conseguiu quitar, Vigilância Sanitária querendo fechar o Hospital, e ela conseguiu reverter, venda dos terrenos que, ela contundentemente afirma que está todo vendido, mas que não foi feita em sua gestão, bloqueio de valor nos Bancos para pagar FGTS, a qual ela está lutando para desbloquear, penhora total do Hospital, entre outras questões administrativas diária (ausência de médicos, falta de medicamentos, etc.).
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Ao se pronunciarem, os funcionários se mostraram indignados e foram categóricos em questionar. E indagaram sobre tudo: O que fizeram do Hospital? Aquilo que um dia foi o grande sonho de Frei Justo Venture e de grande parte do povo seabrense da década de 1970. Onde estavam os membros da SOASE nesses trinta anos? Há membros que só foram conhecidos dez anos depois ou quando davam carteirada para entrar no Hospital fora do horário de visitas. Foram omissos, sim. Negligentes também. Onde estão as atas das reuniões anuais das presidências anteriores? Onde estão os relatórios do conselho fiscal aprovando as contas da Instituição? Onde estão as atas dos Conselheiros? Por ventura, existem? Porque deixaram penhorar o Hospital? A penhora está em nome de quem? E eles trabalhadores ficarão sem nada se a penhora ocorrer? E principalmente, onde está o dinheiro da venda dos terrenos? E eles continuam indignados. Dizem ter lido o Estatuto e não entendem como pode ter sido feito tal venda com assinatura de apenas alguns membros de uma Associação composta por dez vezes mais membros do que os que assinaram. Como? Se o Estatuto define quórum de 50% mais um para deliberarem? Por que as contas não fecham? E fazem cálculos que mostram arrecadações em mais de R$ 1 milhão de reais, mas as despesas apresentadas são de R$ 497.865,63. Onde está o restante? Por que não implantar uma auditoria? E coroam com a seguinte indagação: “Vocês sabem e não querem falar. Sabem e não podem falar? Ou ninguém sabe de nada? ”
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Foram falas fortes, impactantes: “nós só queremos clareza, porque ninguém aqui é criança, a gente está tratando de um assunto que é muito mais sério do que se pensa. Têm famílias, pais aqui, necessitando mesmo! Só queremos saber o que foi feito desse dinheiro? ”
Indignados, mas ponderados, pressionam: “Não estamos acusando ninguém, mas sim pedindo esclarecimentos pois o que se sabe é o que se ouve pelos corredores. Fala-se por aí que foi para regularizar a vida da gente perante o INSS. Não foi! Pagar nosso 13º salário. Não foi! Então, a gente quer saber: para onde esse dinheiro foi. Só queremos uma resposta”.
Os dirigentes presentes pedem calma, que analisem tudo com cautela, sem julgar.  E dizem: “queremos crer que não houve erro na prestação de contas. Iremos levantar tudo junto ao contador, O que está havendo, na verdade, é falta de esclarecimentos”.
Até concordam com a auditoria, mas assumem que não há dinheiro para isso. Esclarecem que a penhora é em nome do FGTS atrasado. Explicam, ainda, que teve um momento que foi necessário entrar com pedido de filantropia para melhoria do Hospital (filantropia conquistada e que isenta o Hospital de alguns encargos) mas isso demandou gastos para obter certidões negativas, obrigando à direção da época a fazer um empréstimo de R$ 600 Mil para pagar impostos. Justificam ainda que para a venda dos terrenos também foram necessárias certidões negativas, e novamente, fizeram mais empréstimo de R$ 700 mil para quitar o FGTS atrasado, porém, não quitaram todas as parcelas. Dívida essa que acabou sobrando para a direção atual. Pedem calma, pedem ponderação.
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Mas ainda ficam dúvidas a serem esclarecidas, são contas confusas. Os funcionários continuam decididos a paralisar. A Diretora então intercede, alegando que sua administração é a mais transparente de todas. Pede para que eles pensem em como ficará a população mais pobre, a cidade não tem outro hospital, o mais próximo fica a 2 horas, em Irecê, e nem está recebendo seabrenses.
Numa grande demonstração de respeito e admiração pela Diretora, os funcionários lhe arrancam lágrimas ao se levantarem, aplaudirem e bradarem que sim, ela é transparente e que agradecem a Deus por tê-la lá dentro. E dizem: “essa manifestação foi tomada justamente por conta da senhora, pois pela primeira vez vimos uma presidente tomar as dores do Hospital e cuidar do Hospital como nunca outro o fez. E é justamente por isso que acreditamos que a senhora é capaz, a senhora tem essa garra, a senhora pode nos ajudar”.
Ao final conseguem chegar a um acordo.  Será formada uma Comissão de 5 membros (funcionários e membros da SOASE) que irão na próxima terça-feira (11) entregar uma abaixo-assinado ao Prefeito eleito, Fabio Lago Sul para que seja enviado ao Governo do Estado, pleiteando a liberação do valor bloqueado. Assim, no prazo de 15 dias após essa entrega entendeu-se que não haverá, ainda, paralização.
Mas como foi uma reunião de tantas indagações, não se podiam encerrar sem os funcionários fazerem a última delas: “quem é o comprador do terreno, de onde é, qual o endereço? ”. A Diretora usando da transparência que lhe é peculiar revela ser “Marques Seabra Construtora e Incorporadora Ltda.”. E foi só o que ele quis revelar.
Em pesquisas feitas pelo Chapada News constatou-se que no CNPJ da empresa citada, cadastrado na à Receita Federal o endereço que consta é Veredinha – Seabra/Ba. Um segredo revelado, por enquanto.
Claro fica que os funcionários querem que a sociedade saiba por tudo que eles e o Hospital estão passando. Querem compreensão e apoio. Querem comer, beber, pagar suas dívidas, mas acima de tudo, querem trabalhar, e trabalhar com dignidade. E assim encerra a reunião, proveitosa, calorosa e sob muita pressão. E fica a pergunta: haverá ou não a greve? Os próximos dias nos dirá.
(Da Redação)

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