terça-feira ,28 setembro 2021
Página Inicial / Política / Ato contra Bolsonaro no Anhangabaú tem gritos de ‘fascista’ e pedido de impeachment

Ato contra Bolsonaro no Anhangabaú tem gritos de ‘fascista’ e pedido de impeachment

A poucos quilômetros das manifestações que ocorreram, nesta terça (7), na Avenida Paulista, em São Paulo, um grupo também se reuniu para protestar contra Jair Bolsonaro (sem partido) e pedir o impeachment do presidente. O protesto no Anhagabaú, centro da capital, teve gritos de “fascista”, “genocida” e críticas à condução da pandemia pelo governo federal. Também foi marcado por cobranças pelo combate à fome e contou com arrecadação de alimentos. Foi realizado em conjunto com o Grito dos Excluídos, promovido tradicionalmente na data por alas da Igreja Católica.

Embora o vermelho ainda predominasse, as cores da bandeira brasileira, marca das manifestações da direita, foram resgatadas pela esquerda no protesto contra Bolsonaro. Uma faixa verde e amarela de 100 metros de comprimento e 9 de largura ocupou todo o calçadão que liga a Avenida São João ao Vale do Anhangabaú, região central da cidade. Com tinta preta, dezenas de manifestantes pintaram a frase “Fora Bolsonaro Impeachment Já”.

“Essas cores são do país, não são deles”, disse Annebelle Rene Ambria, membro do Juventude Pátria Livre, que confeccionou a faixa. Segundo ela, o movimento “quer disputar as cores da bandeira, da qual os bolsonaristas se apropriaram”. O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse em discurso no final do ato que Bolsonaro conseguiu dividir os brasileiros no dia da Independência.

“Temos um ato na Paulista de gente defendendo o fascismo e a tortura. Depois de três anos de destruição dos empregos, da vida e da esperança, o que essas pessoas estão fazendo na Paulista? Por que não estão aqui com a gente?”, disse. Ex-candidato à Presidência e à prefeitura, Guilherme Boulos (PSOL) disse que a rua é do povo, não dos fascistas. Ele criticou falas de Bolsonaro que põem dúvidas na lisura do processo eleitoral e defendem o armamento da população.

“O Brasil não quer saber de ataques às urnas eletrônicas. O Brasil quer saber do combate à fome, do preço do feijão, e não do fuzil.”, disse. Boulos também condenou falas autoritárias e de apoio à ditadura. “Nós somos herdeiros de uma geração que deu a vida pela democracia, de uma geração que foi torturada, que foi perseguida, que foi censurada e foi assassinada. E nós não vamos entregar a nossa liberdade pra eles. Nós não vamos entregar e nem desistir da nossa luta e dos nossos sonhos”.

Citando Guimarães Rosa, disse que a vida exige coragem. “E é com coragem que nós vamos derrotar o genocida. Aqui tem um povo sem medo. Fora, Bolsonaro”, completou. O protesto reuniu partidos de esquerda, como PSTU, PSOL, PCO e PT, além de representantes dos movimentos negro e feminista. Participaram os deputados federais Orlando Silva (PCdoB), Paulo Teixeira (PT) e Gleisi Hoffmann (PT), o vereador Eduardo Suplicy (PT-SP) e a deputada estadual Isa Penna (PSOL). A presença do ex-presidente Lula (PT) chegou a ser cogitada, mas não se concretizou.

A organização dos atos foi marcada por desencontro entre os opositores a Bolsonaro. Alas à esquerda e à direita convergiram no discurso de que era preciso dar uma resposta também nas ruas à manifestação bolsonarista, mas, fragmentadas por interesses ligados às eleições de 2022, travaram na falta de uma reação unificada.

Apesar dos acenos para fora, a participação na capital paulista dos diretórios municipais de PSDB e PDT foi atacada por integrantes do PCO. Militantes do partido chegaram a agredir tucanos na avenida Paulista em 3 de julho. Apoiadores de Ciro Gomes também relataram hostilidades.

A manifestação começou a ganhar mais força no início da tarde, pouco depois das 14h, e estava programada para encerrar antes das 19h. Segundo organizadores, 50 mil pessoas participaram da manifestação no Vale do Anhangabaú. A Polícia Militar estimou 15 mil pessoas.

Sobre Redação

Você pode Gostar de:

Região de Irecê: 7 de novembro terá eleição suplementar em João Dourado

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA), estabeleceu a data do dia 7 de novembro para que …