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Bahia: Polícia investiga ex-servidores de Araci após denúncia de homofobia; vazamento de conversas também é apurado

Após a prefeitura da cidade de Araci, a cerca de 210 quilômetros de Salvador, exonerar os quatro servidores envolvidos alvos de denúncias de homofobia na gestão municipal, a Polícia Civil anunciou que vai apurar o caso. A situação ocorreu após o vazamento de áudios e prints (capturas de tela) de conversas com teor homofóbico de um grupo no WhatsApp.

Em nota, a polícia disse que os responsáveis pelos conteúdos das mensagens serão investigados e podem responder pelo crime de homofobia. 

Na mesma nota, a polícia também afirma que apura o vazamento das mensagens. A polícia diz que um técnico que fazia a manutenção dos computadores será investigado pelo crime de difamação.

Entenda o caso

Quatro servidores da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esporte de Araci foram exonerados na quarta-feira (20), após o vazamento de mensagens com teor homofóbico.

Em um dos áudios, uma servidora diz que o local de trabalho só teria homossexuais, e os chama de modo jocoso de ‘veados’. Ela diz que é preciso um ‘homem’ para ‘animar’ o setor.

“Zé tem que ter um homem aí pra animar porque pra todo lugar que você olha só tem veado. Ó peste”, diz uma mulher, que seria servidora.

Em outro áudio a mulher questiona como descobrir se uma pessoa seria ou não homossexual. “Zé, me diga se existe. Como vamos fazer para descobrir se (inaudível) é veado ou não é”, diz.

A mesma voz diz que em todas as salas da secretária teriam homossexuais. “Toda sala que você ali tem que ter um veado. E quando não é um veado assumido é um que…”, diz uma voz de mulher.

Em um terceiro áudio vazado, um homem diz que faria uma indicação de uma pessoa para trabalhar na secretaria após um pedido, mas que uma mulher poderia implicar pelo fato do homem ser homossexual. No mesmo áudio, o homem diz que “um a mais ou menos não faria diferença” no local de trabalho.

“O Edilson me pediu se tivesse uma vaga para botar um rapaz da Cascalheiras que era para falar com Keinha, que diz que levanta tudo. Carrega, descarrega carro, cozinha, faz tudo. É veado ele. Aí eu estava para falar com Keinha e dizer: ‘como lá já tá cheio, um veado a mais ou a menos não vai fazer diferença’. Aí eu tenho medo dela me entregar, aí não posso nem falar isso a ela. Usar essa referência”, diz a voz de um homem.

Nas imagens, uma mulher diz em texto: ‘Q (sic) tanto veado junto. Zé, consiga um homem p (sic) trabalhar na secretaria. Diabo d(sic) tanto veado’

Após a divulgação do caso, a prefeitura de Araci divulgou nota onde diz que a gestão não tolera e repudia qualquer fala, ação ou exposição homofobia e preconceitos de qualquer natureza e confirmou a exoneração dos servidores.

A prefeitura disse ainda que investiga a prática de invasão de privacidade, clonagem de dispositivo móvel e outras possíveis contravenções em relação à exposição dos envolvidos e da própria instituição em ambiente de trabalho.

CN com informações do G1.

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