domingo ,5 fevereiro 2023
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CHAPADA: Aves endêmicas da Chapada Diamantina ilustram jogo da memória educativo

FOTO: Divulgação/Adriana Caribé

Quanta diversidade existe em um refúgio pantaneiro na Chapada Diamantina? Marimbus, conhecido como o mini-pantanal do semiárido baiano, é casa para muitas espécies da fauna e flora brasileiras. Localizado entre os municípios de Lençóis e Andaraí, o ponto de partida é a comunidade Quilombola de Remanso onde, há 10 anos, Adriana Caribé atua como professora de ciências.

Bióloga de formação, a educadora sempre buscou incentivar a conservação da natureza através de atividades lúdicas e divertidas, mas foi depois do contato com a linha pedagógica Griô que ela aperfeiçoou as técnicas. “É um caminho pedagógico de encantamento, vivência, diálogo e produção partilhada: cada atividade proposta deve criar uma sensibilização com o tema, propor uma experiência que se traduz em diálogo e terminar com algo produzido coletivamente. A partir de 2017, depois de um treinamento com a criadora dessa pedagogia, Lilian Pacheco, fui consolidando essa técnica de forma mais organizada, valorizando os saberes da comunidade”, conta a professora, que desenvolveu um jogo da memória sobre as aves da região.

“Depois de participar de um encontro de observadores de aves em Mucugê e conhecer pessoas interessadas no birdwatching passei a incluir mais a natureza nas minhas aulas. Propus para a turma de jovens e adultos uma atividade de campo: nós organizamos uma passarinhada das 9h às 11h e voltamos para a sala de aula com 33 espécies listadas”, conta.

A variedade de aves observadas durante a experiência serviu de incentivo para a professora desenvolver o jogo temático. “A Erika Hingst-Zaher, pesquisadora do Museu Biológico do Instituto Butantan, cedeu em caráter educativo imagens de 26 espécies para ilustrar as peças. Busquei pessoalmente apoio de empresários da cidade para financiar o projeto. Com a venda de painéis ilustrados das aves da região consegui levantar três mil reais, suficiente para produzir algumas unidades do jogo e doar para as escolas”, conta.

“O público alvo inicialmente eram meus alunos, jovens estudantes do fundamental dois, mas tive a chance de apresentar o projeto para adultos, alunos e professores universitários. A aceitação foi tão boa que decidi criar uma segunda edição do jogo para comercializar, mantendo como principal objetivo o incentivo à educação e conservação ambiental”, detalha Adriana.

“A aves são encantadoras, então foi uma escolha fácil. Além disso, o mini-pantanal é muito rico e muitos estudantes já conheciam as espécies, inclusive, foram eles que indicaram os nomes populares delas. O objetivo foi cumprido por aqui, vejo que eles se sensibilizaram muito com a natureza local”, descreve a professora.

A segunda edição conta com 20 espécies típicas da Chapada Diamantina. As aves foram ilustradas especialmente para o jogo pela artista Birgitte Tümmler. “Nesse trabalho eu resolvi utilizar a técnica que tenho maior intimidade, que é a da caneta esferográfica. Usei fotografias como referência para essas ilustrações naturalistas, que seguem as proporções e coloração da ave da forma mais detalhada possível”, diz.

Apesar do encantamento com todas as espécies, a ilustradora destaca o sofrê, que no jogo foi apresentado junto ao ipê-roxo — Foto: Birgitte Tümmler
Apesar do encantamento com todas as espécies, a ilustradora destaca o sofrê, que no jogo foi apresentado junto ao ipê-roxo — Foto: Birgitte Tümmler

Apesar do encantamento com todas as espécies, a ilustradora destaca o sofrê (Icterus jamacaii), que no jogo foi apresentado junto ao ipê-roxo. “Também gostei muito da composição que fiz do bem-te-vi (Pitangus sulphuratus) com o jatobá. Tentei fazer essas relações da ave com a vegetação típica. Além disso, me atentei às estruturas das espécies, como bico, pernas e pés, detalhes importantes para ter a experiência completa durante a atividade”.

“Participar desse projeto é sensacional porque ele traz o viés da conservação da natureza, que é meu foco, e ao mesmo tempo é educativo. Além de ser uma ciência educativa, é um trabalho muito interessante que, através da arte, trata de uma região tão especial da Bahia”, completa a ilustradora.

Assim como Birgitte, Adriana Caribé espera que o jogo seja mais uma ferramenta de incentivo e estímulo à conservação e consciência ambiental. “Espero que instituições privadas o poder público adquiram exemplares do jogo como ferramenta didática dentro das escolas”, reforça a criadora do projeto.

Para adquirir o jogo ‘Remanso das Aves’ basta entrar em contato com Adriana Caribé através das redes sociais (@adrianacaribemarques). (Por g1 Bahia).

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