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Chapada: Conheça a vida do Chapadeiro que é barbeiro do Palmeiras a mais de 10 anos

O chapadeiro de Ibitiara na Bahia José Ricardo tem 41 anos e está há onze no Palmeiras. Mais conhecido como Belo, por conta da semelhança com o cantor de pagode quando descoloriu o próprio cabelo anos atrás, o barbeiro foi parar na Barra Funda por um acaso do destino (ou não).

A ponte se deu atráves de um de seus clientes: Fábio Finelli. O jornalista fez parte do time de comunicação do Alviverde de 2007 a 2013, e recomendou o barbeiro para o então gerente administrativo do clube, Sérgio do Prado.

“Eu recebi o convite em 2011. O Fábio Finelli que passou o meu contato para o gerente do Palmeiras que, na época, era o Sérgio do Prado, e ele me ligou. Quando eu atendi o telefone, estava no Shopping da Lapa, dentro das lojas Pernambucanas. Ele me disse que estava precisando de um cabeleireiro no clube e me convidou pra ir lá no dia seguinte, e eu fui. Eu nem acreditei”, recorda durante o bate papo com o GQ Esporte Clube.

Início

A história entre Ricardo e Palmeiras nasceu há muito tempo. O barbeiro nasceu palmeirense em uma cidade que é dividida entre flamenguistas e vascaínos. Natural de Ibitiara, interior da Bahia, na região da Chapada Diamantina, o barbeiro conta que seu sonho era ver um jogo do Palmeiras. Nos anos 2000, aos dezenove anos, Belo viajou mais de 1600 km de ônibus para ver o seu time do coração.

“Meu sonho era ir para São Paulo só para ver o time jogar uma única vez. E eu fui em 2000 assistir Palmeiras e Juventude na Libertadores”, conta. Foi a primeira vez que viu uma partida no estádio. “Eu lembro que fiquei encantado quando vi César Sampaio, Alex, Galeano, Paulo Turra. O meu sonho era conhecer o Parque Antártica, e foi bem emocionante”, relembra.

À princípio, Belo foi a São Paulo com um objetivo. “Eu queria ver o Palmeiras jogar, ficar um tempo com a minha mãe e voltar a Ibitiara para dar um jeito na minha vida”, diz. Porém, o palmeirense acabou ficando na cidade e resolveu fazer um curso de cabeleireiro. “Em 2002 eu já estava formado”, conta.

Belo iniciou a sua carreira no dia 1 de setembro de 2001, na Lapa, Zona Oeste da capital paulista. O preço? Um real por corte. “Eu cortei só um cabelo naquele dia e, como o valor do corte dividia para o salão, ganhei cinquenta centavos para levar pra casa. Mas a passagem de ônibus era 60, faltaram 10 pra eu ir embora pra casa. No começo tudo é difícil. Mas eu sabia que era uma profissão que precisava plantar para colher, precisava de tempo”, diz.

Vida no Palmeiras

Belo iniciou sua caminhada no Palmeiras em 2011, mas conta que a ficha demorou a cair, “só em 2013”. Logo no primeiro dia no CT já encarou gente importante no clube. “O primeiro cabelo que eu cortei na academia de futebol foi o Maikon Leite. Logo veio o Felipão e, depois, o Marcos”, relembra.

Sempre mantendo a discrição, Belo reitera que separa o lado torcedor do profissional. “Eu não peço camisa a atleta, ingresso, nada. Eu sei dos meus limites lá dentro. Não fico assistindo treino, fico só na minha sala exercendo o meu papel como profissional. E isso me fez durar lá no Palmeiras”, afirma.

Apesar da paixão pelo clube, o barbeiro comenta que nunca ficou nervoso na frente dos atletas. “Eu os vejo como pessoas normais, atendo todos como clientes, não penso que vou atender o Abel, o bicampeão da Libertadores. Eu vou atender uma pessoa normal que tem cabelo”, diz.

O profissional conta que, como o tempo é precioso para os atletas, equilibra a rapidez com a eficiência do corte, e que raramente o tema futebol é assunto de conversa.

“Eles são super bacanas, a gente brinca bastante. Mas eu sempre fico ligado no tempo do corte, geralmente levo entre 20, 25 minutos. Se for cabelo e barba, no máximo, 40 minutos. Eu não converso muito com eles sobre futebol, só se alguém puxar o assunto. É importante desligar a chavinha em alguns momentos”.

Além de ser o barbeiro oficial do clube, Belo também atende alguns clientes fixos no seu salão na Lapa, mesmo bairro em que começou a sua carreira.

“Se eu sou realizado em trabalhar no Palmeiras? Pra mim é a minha maior conquista. Tem coisa que o dinheiro não paga. Quando você gosta de uma coisa, se sente bem e feliz em um lugar, as coisas andam. Trabalhar lá é muito fácil, tem um ambiente maravilhoso”, reforça.

Libertadores

Dos três títulos da Libertadores que o Palmeiras detém, os últimos dois foram conquistados em sequência, em 2020 e 2021. Belo costuma ser fixo no CT, mas teve o privilégio de viajar com o elenco nas duas finais, tanto no Rio de Janeiro como em Montevidéu.

“Os jogadores pediram, a diretoria abraçou e me levou. Foi uma das melhores conquistas da minha vida. Eu fui para com eles no avião. Quando os jogadores me viram lá, nem acreditaram. Fiquei uniformizado, cortei mais de 35 cabelos, todo mundo arrumadinho pra final. E eu fui para o Uruguai também, e lá eu cortei mais cabelo ainda”, diz.

Belo conta uma história com Deyverson, figura marcante da conquista do tricampeonato. Na véspera da final em Montevidéu, o jogador resolveu descolorir o cabelo.

“Eu descolori o cabelo dele já era 23h. Eu falei pra ele que já tava tarde, mas ele quis descolorir mesmo assim, disse que estava um pouco ansioso. E eu ainda falei pra ele que iria fazer o gol. E a minha emoção? Eu tenho o lado torcedor também, apesar de já ter me acostumado com os atletas”, relembra.

Há onze anos trabalhando no Palmeiras, Belo participou de diversas fases do clube, e conviveu com diversos atletas e personagens da história da equipe, mas elege Dudu, atual camisa sete do Verdão, como seu maior ídolo.

“Eu conheci o Dudu em 2015 e corto o cabelo dele até hoje. O salão no centro de excelência foi ideia dele. O Dudu sempre foi parceiro e me apoiou. Além de ser craque dentro de campo, é fora também. É um ídolo vivo”, finaliza.  (Com informações do GQ.globo.com)

 

 

 

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