quarta-feira ,12 maio 2021
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Chapada:Rio de contas e mais 6 cidades baianas continuam sem mortes pelo novo coronavírus

Enquanto os números de infectados e mortos pelo novo coronavírus só fizeram subir nos últimos dias na Bahia, em sete cidades do estado não ocorreu nenhum óbito desde o começo da pandemia: Rio de Contas, Cipó, Anguera, Cravolândia, Catolândia, Tanque Novo e Brotas de Macaúbas, que têm populações entre 3.600 e 17 mil pessoas.

A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) lista 14 cidades sem mortos pela covid-19. Mas, nos sites oficiais e redes sociais das prefeituras de sete desses 14 municípios listados pelo órgão – todos verificados pela reportagem – há o registro de um ou dois falecimentos pela doença. Em apenas sete não ocorreram mortes.

Segundo a Sesab, as sete cidades onde ocorreram um ou dois óbitos divulgados nas redes oficiais das cidades  não teriam ainda notificado ao órgão. “Até o momento, não temos informações nos registros oficiais por parte desses municípios”, diz a nota da secretaria.

Os sete municípios invictos apostaram em fortes campanhas de conscientização, barreiras sanitárias, monitoramento de casos suspeitos, distribuição de máscaras e restrições ao comércio.

Cravolândia, no centro-sul do estado, por exemplo, está com toque de recolher há quase um ano, desde março de 2020. Já em Rio de Contas, os visitantes e moradores que viajam têm ainda de cumprir uma quarentena de sete dias no retorno. Se desrespeitarem, recebem visita da Vigilância Sanitária e até da Polícia Militar (PM).

“Em meio a tanta morte, estamos no paraíso. Aqui está bem tranquilo, tem muita gente que não respeita, mas a gente não deixou de ter barreira, ela continua montada, temos todos os cuidados na rua, com pias para a lavar as mãos, e só não se previne quem não quer”, conta a moradora de Cravolândia, Rose Argolo, 52 anos.

Ela não contraiu a covid-19 até então, mas três pessoas de sua família foram infectadas. Um familiar precisou ser transferido para o Hospital Couto Maia, em Salvador. Foi um dos três únicos casos de internamento de Cravolândia. “Ele ficou 15 dias internado, mas agora está bem, graças a Deus, fazendo acompanhamento, porque ficaram algumas sequelas pulmonares”, acrescenta Rose, dona de um restaurante que só funciona por entrega.

Com cerca de 5 mil habitantes, Cravolândia teve 142 casos de covid-19, todos recuperados. A maioria, segundo a secretária de Saúde do município, Ednalva Mendes, foi assintomática ou com sintomas leves. Não há casos ativos há uma semana e 19 pessoas cumprem quarentena atualmente.

“Adotamos medidas drásticas desde 18 de março passado, com barreiras sanitárias que até hoje funcionam, somos um dos únicos que ainda tem, e temos o cuidado de fazer formulários de acesso e monitoramento da quarentena”, explica a secretária. Só está a salvo deste isolamento quem apresenta teste RT-PCR negativo realizado em até 72 horas.

Ednalva também atribui o sucesso dos números à abertura do centro de covid-19, para tratar somente pacientes com síndromes gripais. Além disso, a prefeitura instalou três lavatórios com pias e dispensadores de sabão líquido e álcool em gel em pontos estratégicos da cidade, como na praça principal. Até o dia da feira mudou de sábado para domingo, para evitar aglomerações. As atividades não essenciais, como bares e restaurantes, só reabriram em dezembro e com horário de funcionamento limitado até às 22h. Domingo nada está autorizado a abrir. Os profissionais de saúde da rede são testados para o vírus regularmente, a cada 15 a 30 dias.

Chapada
Em Rio de Contas, na Chapada Diamantina, houve investimento pesado em fiscalização. Em parceria com os profissionais da atenção básica, as equipes da vigilância sanitária monitoram os casos positivos e suspeitos. “Se um paciente sair de casa suspeito ou positivo a atenção básica aciona a vigilância. Se a pessoa não cumprir a quarentena, a gente conta com o apoio da PM, que vai junto com a equipe da saúde para garantir que ele fique em casa”, explica a secretária de saúde de Rio de Contas, Sara Tafetá. Até então, ninguém precisou ser conduzido à delegacia, segundo ela.

A secretária pontuou ainda que tem investido bastante em campanhas educativas, em redes sociais, rádio e inclusive com carros de som pelas ruas da cidade. Não há limitação de horário para bares e restaurantes, o único exigido é o cumprimento dos protocolos de higiene e prevenção, como distanciamento de dois metros entre as mesas e utilização de 50% da capacidade do estabelecimento.

Os turistas ficaram proibidos de entrar na cidade de março até setembro passados. Agora, só entram com comprovação da reserva de hospedagem. Com 12.979 habitantes, Rio de Contas registra 1.421 casos de covid-19, sendo 263 confirmados e 254 curados. Outros cinco aguardam resultado do exame, 8 estão ativos, em tratamento, e uma pessoa está hospitalizada. Além desse, só houve um outro caso que precisou de internamento. O município implantou ainda três barreiras sanitárias que continuam em funcionamento e um centro de covid-19.

Também na Chapada, a cidade de Tanque Novo não teve perda de nenhum de seus 17.366 habitantes. O secretário de saúde do município, Wesley Carneiro, acredita que tenha sido pela testagem em massa da população, monitoramento e tratamento precoce para evitar que os sintomas se agravassem. “Quando acontece algum caso positivo, nossa equipe faz o atendimento precoce e monitoramento. Testamos todos os contatantes através do PCR e ficamos observando. Caso tenha algum sintoma, o médico faz logo a avaliação e, se for necessário, já entra logo com o tratamento”, esclarece Carneiro.

O secretário também disse que a prefeitura fez ampla campanha de conscientização nas redes sociais e veículos de comunicação e decretou o fechamento de bares, restaurantes e comércio no mês de janeiro, por conta do aumento do número de casos. Foram 180 confirmados até agora, sendo 172 curados e 8 casos ativos. Cinco pessoas precisaram se internar e foram transferidas para Vitória da Conquista.

A moradora Belza Magalhães, 53 anos, afirma que as campanhas educativas tiveram efeito. “Todo mundo está se protegendo e sabendo lidar com a doença. O pessoal tá ficando mais em casa e não teve nada de aglomeração, nem agora no carnaval. Alguns casais viajaram, mas deus abençoa que no retorno não tenha novos casos”, desejou Belza, dona de um restaurante na cidade, que só trabalha com delivery.

Em Anguera, cidade a 155 quilômetros de Salvador, a receita foi também desenvolver ações educativas com os moradores. “A gente tem feito trabalho educativo de cuidados pessoais e coletivos e temos o centro de covid-19, com a equipe da atenção básica, que trabalha em bastante consonância e ajuda com os casos suspeitos, fazendo o diagnóstico rápido e acompanhamento”, afirma a secretária de saúde de Anguera, Karine Ramos. Foram 240 infectados pela covid-19 no município e dois desses precisaram de internação. A cidade tem 11.300 habitantes. As barreiras sanitárias duraram até agosto do ano passado e não foi necessário, até então, aplicar o toque de recolher.

O monitoramento dos casos suspeitos é feito pelo Disque Covid, número de telefone disponibilizado à população para quem apresentar sintomas. Nele, um profissional de saúde agenda um horário para fazer a triagem do paciente, marcar as consultas e testagem no centro de covid, onde é feita a coleta para o exame RT-PCR. Após a alta, a secretária garante que o suspeito e seus contatantes continuam em acompanhamento. “Por ser um município pequeno, muitas pessoas pegam através dos contatantes. Tivemos muitos casos de pessoas com sintomas leves ou assintomáticos que os contatantes deram positivo”, alerta Karine.

Na região oeste da Bahia, em Catolândia, o secretário de saúde Fábio Toledo acredita que a inexistência de mortes é pelo receio da população em sair de casa, principalmente dos mais velhos. São 3.600 moradores no município. “Catolândia é uma cidade pequena e pacata, acho que o zero óbito se dá pela população mais idosa e temerosa em relação à pandemia”, estima Toledo. A nova gestão continuou com a estrutura que já existia, como o centro de covid-19.

Em Cipó, no nordeste da Bahia, a secretária de saúde, Hoga Ramos, defende que o que ajudou a conter a doença foi a manutenção do centro de testagem para o diagnóstico precoce e a disponibilização de leitos exclusivos para pacientes com covid-19 no Hospital Municipal. Somente uma criança precisou ser internada e foi transferida para o Martagão Gesteira, em Salvador.

“Nossa política de prevenção foi a conscientização dos nossos munícipes. Medidas restritivas e punitivas também foram adotadas, sempre com o intuito de resguardar a saúde da população”, informou a secretária.

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