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Eleições 2022: Entenda como o Nordeste se tornou um dos focos da eleição

Nem precisa buscar muito. Você já deve ter visto que, nos últimos dias, as redes sociais de muita gente foram inundadas com símbolos do Nordeste. Em cards estilizados com mandacarus, chapéus de vaqueiro e estilo de cordel, as mensagens são diretas. “Vote como um nordestino”, pregam uns; “sou nordestino e voto em fulano”, dizem outros. “Orgulho de ser nordestino e escolher o número tal” e por aí vai.

Nos canais de televisão, no rádio e na internet, quase todos os jornalistas e analistas políticos têm dito com frequência que os olhares estão sobre o Nordeste. Apesar do que alguém mais desavisado poderia achar, não foi de uma hora para a outra que o voto dos nordestinos se tornou um dos principais ativos desta eleição presidencial, neste domingo (30).

Os resultados que sairão tanto das urnas da Bahia quanto dos outros oito estados da região devem ter peso para influenciar diretamente o resultado da eleição: podem tanto garantir a vantagem necessária para vitória de Lula (PT) quanto reduzir a diferença entre os candidatos, o que ajudaria Jair Bolsonaro (PL) a vencer.

“O Nordeste virou um motivo de muita atenção e a gente tem percebido que o voto da região tem se distanciado da maioria do país. Isso não é algo que acontece da noite para o dia”, diz a professora Luciana Santana, doutora em Ciência Política e docente do departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

Para ela, não há como negar a força política da região. Tanto é assim que, em muitos contextos, seus integrantes se unem – esse foi o caso, inclusive, do Consórcio Nordeste, uma autarquia que foi fundada em 2019 justamente para promover o desenvolvimento conjunto dos estados.

“São nove estados com representação no Congresso Nacional, é praticamente um terço do país. Por isso, são estados que afetam as decisões políticas nacionais e, de alguma forma, podem contribuir com a força e com seu eleitorado”, acrescenta a professora.

Na avaliação do professor Samuel Barros, do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital, porém, é temerário afirmar que o Nordeste é responsável por eleger ou deixar de eleger qualquer um dos candidatos. De fato, os votos que vêm do Nordeste são decisivos – mas não mais do que os de todos os outros estados.

“O que acontece  é que o Nordeste é uma região densa, do ponto de vista populacional, e tem feito escolhas, nas últimas eleições, em um determinado sentido”, explica.

Ou seja: o equilíbrio dos votos entre as regiões é importante. Atingir um determinado percentual de preferência no Sudeste, por exemplo, também é um feito que nenhum dos candidatos pode desprezar, se quiser ganhar. No Sudeste, inclusive, Lula quase alcançou o mesmo número absoluto de votos que no Nordeste – foram 21,03 milhões de eleitores lá contra 21,75 milhões aqui.

Em compensação, Bolsonaro teve 23,47 milhões de votos no Sudeste contra 8,78 milhões no Nordeste. “O Nordeste virou palco de batalha em função de uma matemática que Bolsonaro fez. Ele percebeu que a viabilidade eleitoral dele depende necessariamente de aumentar o percentual dele de votação aqui e também os votos absolutos. Para ter viabilidade eleitoral, ele entendeu que era necessário fazer um esforço maior de campanha aqui”, explica Barros.

Um ‘voto’
Colocar todos os nordestinos no mesmo bolo, porém, é questionável. Seria possível, assim, falar em um voto do Nordeste? Para Samuel Barros, essa leitura é ampla demais. Nas capitais e regiões metropolitanas, por exemplo, ele considera que há comportamentos levemente diferentes.

“O que me parece que dá para fazer uma afirmativa em geral é que o voto do Nordeste é menos ideológico. É um voto que se orienta muito por preocupações com determinadas políticas do estado brasileiro”, explica.

Essas escolhas não seriam ideológicas ou partidárias porque não é incomum que eleitores dos nove estados votem em governadores e deputados de partidos diferentes do que votam para presidente. Não quer dizer, porém, que seriam votos sem consciência das políticas públicas que os nordestinos consideram que são importantes. Em outras regiões do país, Barros vê mais indícios de voto ideológico, com menos preocupação com políticas substantivas.

De acordo com o professor, os eleitores nordestinos, em sua maioria, votam por um estado atuante quanto às políticas sociais de redução de desigualdade, combate à fome e à seca. É um gesto que teria origem na própria formação histórica e demográfica da região.

“A surpresa que se viu nas últimas eleições é o sudestino perceber a consciência do  voto do nordestino. Acho que é fruto de um preconceito que muitas vezes se tem de achar que o sujeito em condição de carência não será capaz de votar de acordo com seus interesses mais inteligentes”, diz Samuel Barros, da Ufba.

Ele reforça que, como não é um voto ideológico, não seria o caso de compreender o voto dos nordestinos como um voto de esquerda. “O nordestino vota em partidos à esquerda e à direita que apresentem esse plano, esse projeto (de políticas sociais)”, pondera Barros. “Nesse sentido, é um voto mais consciente de sua realidade e que vai às urnas buscar soluções para seus problemas efetivos, não para seus problemas imaginários, como me parece que tem ocorrido em algumas situações do Brasil”.

Foi a partir de 2006 que essa tendência começou a se delinear, mas é na eleição presidencial de 2018, que a diferença no Nordeste se tornou mais evidente para qualquer um que observasse o mapa dos resultados. Enquanto o restante do Brasil havia votado em peso por Jair Bolsonaro, então no PSL, todos os nove estados do Nordeste deram vitória a Fernando Haddad (PT).

Naquele ano, os governos desses estados também foram vencidos por candidatos que não apoiavam o ganhador daquela eleição – no caso, Bolsonaro. “É um voto pragmático, porque existe uma fidelização do eleitor”, explica Luciana Santana, da Ufal.

Ela também critica a ideia de que esses eleitores fariam essas escolhas por políticas assistenciais, um discurso comum entre pessoas que não vivem no Nordeste. Até pouco tempo, era comum atribuir os votos do Nordeste ao Bolsa Família, programa de transferência de renda extinto em 2021 e substituído pelo Auxílio Brasil desde então.

As políticas públicas valorizadas pelos nordestinos incluiriam, assim, obras em infraestrutura, investimento no ensino superior e tecnológico com universidades e institutos federais, recursos para agricultura familiar e políticas de combate à fome.

“A gente tem que parar de considerar que o eleitor nordestino vota apenas por um benefício social, que é importante e necessário, mas não se encerra em si”, completa a professora.

Conceito
A própria identidade nordestina seria uma construção imaginária, segundo o historiador Durval Muniz de Albuquerque Júnior, professor dos programas de pós-graduação das Universidades Federais de Pernambuco (UFPE) e do Rio Grande do Norte (UFRN). Autor do livro A Invenção do Nordeste e outras artes (editora Cortez), publicado pela primeira vez em 1999, ele afirma que, assim como as nações, as regiões também são diversas internamente.

“O Nordeste é composto por nove estados, sendo que alguns são maiores do que alguns países do mundo. Você tem diversidade sob todos os aspectos”, argumenta, citando diferenças climáticas, culturais e sociais. “Não há nenhum aspecto em que o Nordeste seja homogêneo. Ele é homogeneizado do ponto de vista do imaginário, da construção dessa identidade”. 

Em seu livro, Albuquerque Júnior explica que o ‘conceito’ de Nordeste surgiu pela primeira vez em um documento oficial em um decreto de 25 de dezembro de 1919, no governo de Epitácio Pessoa, paraibano que foi presidente do Brasil entre 1919 e 1922.

“Nesse documento, ele instituiu um programa de obras contra as secas e, ao definir a área de construção dessas obras, utilizou o termo Nordeste. Esse termo ganhou repercussão justamente porque essas obras causaram muita polêmica na imprensa, não só pelo volume de recursos, inclusive a tomada de empréstimos estrangeiros, como pelas denúncias constantes de desvios, de corrupção”, conta.

Antes disso, era tudo ‘Norte’. Ao mesmo tempo, porém, havia um movimento regionalista por parte de elites do Norte que andavam descontentes com a perda de centralidade econômica desde o Império e, posteriormente, com a República. Com a atividade cafeeira e, depois, com o início do processo de industrialização, o eixo econômico do país havia se deslocado para São Paulo e Minas Gerais.

Nesse período, há alguns marcos, como a criação do Centro Regionalista do Nordeste, por parte de Gilberto Freyre, em 1924. Um ano depois, Freyre organizou um encarte no jornal Diário de Pernambuco sobre o Nordeste, convidando intelectuais de vários estados para escrever sobre a região. A grande coroação vem no Carnaval de 1926, quando acontece o Congresso Regionalista do Nordeste, com políticos e intelectuais em Olinda, além de apresentações culturais e conferências sobre o conceito.

Aos poucos, o conceito Nordeste começa a ganhar consistência e passa a representar uma identidade regional. “O Nordeste vai ter dois aspectos fundamentais na sua diferenciação em relação ao Norte. Um será a natureza, então é a região da seca, da caatinga, do semiárido. A outra é a cultura, com a ideia de que ali é o berço da própria cultura brasileira. Uma cultura mestiça, fruto do cruzamento das culturas indígenas, africanas e europeias”, explica o historiador.

Mas ainda não era o Nordeste de hoje. Naquela época, quando se usava esse conceito, a compreensão era que se tratava de uma área que iria de Alagoas ao Piauí. Inicialmente, o Maranhão era pouco incluído, enquanto Bahia e Sergipe também não eram considerados. A região é pensada, assim, a partir da área de influência econômica e cultural de Recife.

Mapa
O mapa do Brasil era bem diferente – e passa a acompanhar as mudanças que vieram também com a construção do Nordeste. De 1940 para cá, o país já teve cinco divisões territoriais diferentes. Naquele ano, o mapa formulado pelo IBGE trazia Maranhão e Piauí na região Norte, enquanto Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas no Nordeste. Bahia e Sergipe ficavam na chamada região Leste, assim como o Espírito Santo.

Segundo a gerente de atlas e representação do território do IBGE, Adma Hamam de Figueiredo, havia necessidade de um conhecimento aprofundado do território nacional, a partir dos anos 40.

Isso visava, inicialmente, a modernização e integração do território brasileiro; o desenvolvimento do planejamento seria um objetivo posterior. Assim, essas divisões seriam uma forma de configurar politicamente o território nacional para servir de referência tanto à ação do governo para alocação de recursos e implementação de projetos.

“As divisões regionais variaram, assim, com a própria concepção que se tinha de região e de sua mudança ao lado do processo contínuo de reestruturação do território brasileiro acompanhando o aprofundamento das forças capitalistas e expansão de suas redes de articulação física, técnica e política sobre o território”, diz ela, em documento elaborado ao CORREIO, em parceria com a gerente de regionalização e tipologias do território, Maria Monica Oneill, e o assistente de projeto da gerência de regionalização, Paulo Wagner Teixeira.

Quanto ao Maranhão e ao Piauí, além de aspectos históricos, há fatores geográficos que influenciam. Segundo os técnicos do IBGE, a posição entre o Nordeste, a Amazônia e as chapadas do Centro-Oeste levam à existência de uma zona de transição, com características ambientais desses três biomas.

Isso contribuiu, portanto, para uma indefinição, ainda que os dois estados se vissem mais ligados ao Nordeste por laços históricos de povoamento, facilidade de circulação e relações comerciais. Foi só nos anos 1950 que o economista Celso Furtado trouxe o Maranhão para o Nordeste como parte da área da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). A parte oriental do estado ainda faz parte da Amazônia Legal e também recebe recursos da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).

Baianos
Bahia e Sergipe, por sua vez, só foram integrados ao mapa do Nordeste em 1970, quando passou a valer a divisão atual. Ainda de acordo com a geógrafa Adma Hamam, do IBGE, o planejamento estatal para a industrialização do Nordeste passava pela exploração e refino do petróleo pela Petrobras no Recôncavo baiano. Ao mesmo tempo, o turismo no litoral e o complexo agroindustrial da soja e do algodão na Bahia são apontados por ela como pontos de estruturação da Região Nordeste.

“Vale ressaltar, ainda, que existem similaridades morfoclimáticas, políticas e culturais entre esses estados, como aparece refletido, ainda hoje, na área de atuação da Sudene, que abrange municípios mineiros, capixabas, baianos e sergipanos”, acrescenta a geógrafa.

Para o historiador Durval Muniz de Albuquerque Júnior, a criação da Sudene foi determinante para que as elites baianas e sergipanas da época também defendessem a união ao Nordeste. Havia uma reivindicação de que os dois estados também sofrem as consequências da seca e, portanto, deveriam receber os recursos, que incluíam também verba para construção de estradas, para industrialização e empreendimentos agrícolas.

Por outro lado, a Adma Hamam, do IBGE, ressalta que divisões regionais são dinâmicas. Ou seja: nada impede que, no futuro, o Nordeste seja bem diferente da configuração atual – ou dê lugar a uma divisão totalmente nova, se a sociedade brasileira entender que as divisões de hoje não dão mais conta do recado.

“Todavia, essa possível nova divisão regional enfrentaria sérios problemas para ser efetivada, em parte por ser uma divisão territorial já incorporada na cultura e no imaginário coletivo do povo brasileiro, bem como em função das inúmeras instituições federais e legislações que utilizam a atual divisão regional brasileira como base territorial de sua ação”, pondera.

Conservadores
Além disso, a presença de pessoas com posicionamentos políticos mais conservadores ou identificados com a direita não deve ser desprezada no Nordeste. Em algumas localidades, esses eleitores deram vitória ou percentuais expressivos de votação a Jair Bolsonaro. Um desses locais é justamente a cidade de Maceió (AL), única capital nordestina onde o candidato do PL venceu.

Alguns aspectos locais ajudam a compreender. Segundo a professora Luciana Santana, da Ufal, trata-se de uma das capitais com maior concentração de renda no país. “Aqui (Maceió), ainda tem problemas estruturais sérios que têm, como responsabilidade, as elites econômicas locais. Quem estuda a história de Alagoas compreende como se deu, ao longo do tempo, essa permanência e consolidação das elites”, explica.

Em Maceió, de acordo com ela, esses grupos teriam ainda mais força do que no restante do estado – que, de certa maneira, acompanha a tendência dos outros estados do Nordeste.

A própria Bahia, que deu o segundo maior percentual de votação a Lula no país, tem pontos de votação maiores em Bolsonaro. São localidades como Luís Eduardo Magalhães, no Oeste, onde a presença do agronegócio é forte, e Buerarema, no Extremo Sul, onde ele venceu, ou Porto Seguro, onde tem apoio de políticos locais. Para Luciana, ainda que alguns atribuam esses percentuais maiores à proximidade dos estados do Sudeste, a explicação está mais ligada ao intercâmbio constante com estados como São Paulo e Minas Gerais.

“São cidades que recebem, majoritariamente, pessoas egressas do Sudeste para usufruir do turismo. Não é necessariamente pelo contato com o Norte de Minas, por exemplo, que é uma parte mais lulista, mas com o público que essas cidades recebem”. 

Isso é tão verdade para o historiador Durval Albuquerque Júnior, que a presença de lideranças nordestinas no governo de Jair Bolsonaro ou próximas a ele é forte. Esse é o caso de nomes como o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP), que é piauiense, e até do presidente da Câmara dos Deputados, o alagoano Arthur Lira (PP).

“Toda vez que você nessa generalização, cai na armadilha do discurso regionalista de homogeneizar o que não é homogêneo e cobrir, com isso, diferenças de classe, raça e gênero. A região não é homogênea”.

Ao mesmo tempo, ele acredita que há votos reativos contra o Nordeste e os nordestinos entre os demais estados do Brasil. O professor não descarta que isso leve nordestinos e nordestinas a ampliar votos em uma determinada direção – no caso, a vantagem do candidato Lula.

“É burrice atacar os nordestinos, porque isso cristaliza ainda mais o voto”, reforça. “Há uma dimensão racista no preconceito contra nordestinos. À medida que eles são vítimas de preconceitos, reagem se aglutinando, se identificando uns com os outros mais ainda”, completa.

Outros estados também são foco de batalha entre as campanhas 

No domingo, porém, os olhos do Brasil não estarão focados apenas no Nordeste. Um dos grandes alvos dessa eleição é Minas Gerais. Historicamente, quem ganha para presidente no estado ganha também o pleito nacional.

Acontece assim desde 1989, quando houve a primeira eleição presidencial direta após a ditadura militar. No primeiro turno de 2022, a tendência seguiu: Lula, que ficou à frente de Jair Bolsonaro, venceu entre os eleitores mineiros.

Por isso, nesse segundo turno, houve um foco maior das campanhas no estado, mesmo que lá não tenha disputa para governador. Segundo a professora Luciana Santana, da Ufal, a centralidade do estado pode ajudar a explicar esses resultados. Além disso, Minas Gerais faz divisa com nove estados, que acabariam influenciando esses territórios.

“Você consegue perceber mudanças, tendências, a partir desse eleitorado. Essa diversidade acaba conseguindo captar bem o sentimento do Brasil. Historicamente, isso aconteceu. Por isso, tem tido um investimento grande das duas candidaturas ali; uma para segurar, outra para reverter”, explica.

Já a região Norte, da qual um dia o Nordeste fez parte, alguns estados deram os maiores percentuais de votação a Bolsonaro. Acre, Rondônia e Roraima tiveram os maiores índices para o candidato do PL.

Algumas hipóteses tentam explicar um comportamento diferente do Nordeste, a exemplo da presença dos militares em áreas estratégicas como as fronteiras.

“Agora, registre-se que o desempenho de Bolsonaro em 2018 foi muito maior do que está sendo agora. Ele retrocedeu bastante, com algumas exceções, no Norte, então, é preciso também fazer esse estudo comparativo entre as eleições e não apenas entre as regiões em 2022. É preciso olhar para 2018 para entender as mudanças no comportamento eleitoral de cada categoria”, diz o professor Samuel Barros, do departamento de Ciência Política da Ufba.

Reportagem do Correio da Bahia

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