quarta-feira ,30 novembro 2022
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Itaetê: Acampamento do MST Antônio Maero do Rio sofre atentado

Nesta última quarta-feira (12), durante à noite, aproximadamente 20 homens fortemente armados invadiram o acampamento ‘Antônio Maero do Rio’ de maneira violenta, expulsaram as famílias, atearam fogo nos barracos e ameaçaram os acampados de morte. Atualmente, são 25 de famílias acampadas que fazem parte do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no município de Itaetê, na Chapada Diamantina.

Segundo o Abraão Brito, articulador político do MST na Regional Chapada Diamantina, há crianças, mulheres e jovens desaparecidos desde a quarta. “Os sem terra acampados estão com medo até mesmo de denunciar, por conta de ameaças sofridas e as agressões. Uma das mulheres do acampamento que foi baleada e nada foi feito a respeito, nenhuma investigação foi aberta sobre o caso. Recentemente houve um sequestro e várias declarações de atos violentos para inibir a permanecia das famílias no local. Essa situação tem se agravado com a força do bolsonarismo que incentiva esse tipo de agressão e posse de armas de fogo”, conta Brito.

O acampamento Antônio Maero do Rio implora para que medidas sejam tomadas, que haja assistência dos direitos humanos, da segurança pública e que os governos do estado e federal tomem uma posição diante de tamanha truculência. Famílias inteiras desamparadas, passando fome, desaparecidas e com sua dignidade arrancada, sem que nenhuma providência seja tomada para reverter este cenário de crise política e econômica na região, o que faz ser necessário as ocupações de terra improdutivas para que pessoas possam produzir com agroecologia seu sustento.

“Foi muita agressão no ataque, o tempo todo ameaçando eu e minha mulher com arma de fogo, minha filha passou mal e ficamos com muito medo, até agora não conseguimos voltar ao acampamento pois eles estão lá fazendo monitoramento, nem conseguimos filmar a destruição que ficou. Perdemos tudo, tudo, tudo e me ameaçaram de morte mais uma vez”, relata um dos integrantes da família que sofreu a violência no momento do atentado.

Entenda o caso

A Fazenda 2 Rios foi ocupada no dia 25 de março deste ano (2022), por cerca de 250 famílias, com o objetivo de desapropriar a área improdutiva para fins da reforma agrária. “A fazenda tem 8,5 mil tarefas de terra. É uma terra que está abandonada e não vem cumprindo com sua função social há muito tempo”, explica Abraão Brito. Desde então, as famílias acampadas sofrem intimidações dos pistoleiros.

Brito explica ainda que, já no primeiro dia de acampamento, houve intimidação por parte de dois homens que se identificaram como seguranças da fazenda. “Nós não recuamos. Então, na madrugada, um pai de família – que é um dos líderes da ocupação, deu uma saída do acampamento, quando dois homens encapuzados, suspeitos de serem os mesmos do primeiro dia, agrediram o companheiro, bateram muito com vários tipos de armas. Em seguida, eles foram na direção do acampamento. As famílias foram para cima e, então, eles atiraram”, relata.

No dia 29 de março, a Fazenda 2 Rios, no município de Itaetê, região da Chapada Diamantina, foi atacada por dois homens armados que espancaram uma liderança e atiraram contra as pessoas. Um dos tiros atingiu uma mulher, que foi socorrida e hospitalizada, sem risco de morte, de acordo com o movimento.

Em 4 de maio, oito homens encapuzados e armados invadiram o acampamento Antônio Maero por volta das 2h. Atiraram contra alguns barracos e foram embora.

Assustados com os tiros, alguns acampados se refugiaram nas matas ao redor. Ninguém foi atingido pelos disparos. Aduran polícia foi acionada e um boletim de ocorrência foi registrado.

CN com informações da Pastoral da Terra – Massacres do Campo.

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