sábado ,19 setembro 2020
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O turista que quiser entrar em Lençóis vai ter que ter o comprovante do teste para Covid-19

O turista que quiser entrar em Lençóis vai ter que levar máscara, álcool em gel e um papel que comprove que ele foi testado para covid-19, com o prazo máximo de 72h de sua realização, e que o resultado tenha dado negativo. Esses são apenas alguns dos requisitos impostos pela prefeitura da cidade, conforme divulgado no Diário Oficial do Município.

A retomada do turismo no local já pode acontecer nessa terça-feira (1), caso a prefeitura verifique que os estabelecimentos estejam cumprindo as medidas de distanciamento social. “Nós estamos fazendo uma vistoria e só quando finalizarmos isso teremos uma resposta concreta. A data só será confirmada com um decreto municipal, o que ainda não saiu”, disse a secretária de Turismo da cidade, Roberta Ferraz.

Ela não quis comentar o motivo da exigência do teste de covid-19, mas a assessoria da prefeitura local informou que a gestão não quer colocar a população em risco. “Sabemos do índice de falso negativo, mas se evitarmos um só contágio nesse momento, já terá valido a pena. Além disso, o teste funcionará como instrumento educativo e de conscientização também para os viajantes”, explicou por meio de nota.

O diretor da Secretaria de Turismo da Bahia (Setur), Jorge Ávila, que faz parte de um grupo que está elaborando um protocolo conjunto para a retomada do turismo nas cidades da Chapada Diamantina, não entendeu o motivo da determinação. “Não faz muito sentido, pois as pessoas podem pegar a doença depois de realizar o exame. Eu posso fazer o exame pela tarde e de noite ser contaminado, por exemplo. Vou alertar para eles sobre essa realidade”, disse.

orge ainda afirmou que a exigência do teste para a covid-19 não vai estar presente no protocolo conjunto de retomada do turismo na região. “Não há essa possibilidade. O estabelecimento que medir a temperatura de uma pessoa e verificar um valor alto, vamos exigir que ele encaminhe a pessoa para um médico. Mas não estou vendo essa discussão para incluir o teste no protocolo geral”, afirmou.

Outras cidades
Em Mucugê, que também faz parte da Chapada Diamantina e já está com bares, restaurantes e lojas de artesanatos abertos, a retomada do turismo deve acontecer na próxima segunda-feira (31), com a reabertura das empresas de hospedagem, segundo o secretário de turismo Tiago Profeta. Lá ainda não está definido se vai ser exigido o teste para a covid-19, mas o titular já tem sua opinião.

“Numa conversa que tive com o pessoal da Saúde, eles dizem que o fato dos turistas trazerem o exame não quer dizer que eles não vão estar com o vírus. O teste rápido só indica a contaminação depois de um tempo que a pessoa já está com o vírus. Se houvesse uma segurança, uma confiança de que o teste reflete mesmo o resultado, seria algo legal”, afirmou.

Além do teste rápido, outras medidas adotas pela cidade são o agendamento prévio com as empresas de hospedagem, as normas de distanciamento, a redução de 50% da capacidade das pousadas e a medição de temperatura dos turistas. O mesmo acontece em Lençóis. Outras cidades da região ainda não definiram suas novas regras e aguardam o protocolo geral feito pela Setur – que deve ficar pronto na próxima semana, segundo Jorge Ávila – para cravar uma data de retomada.

“Aqui em Barra do Mendes não há previsão ainda. Estamos preparando o protocolo, mas ainda não definimos se vamos pedir o teste para covid-19. Eu penso que, por precaução, exigir o resultado negativo é o melhor. Temos que reabrir com cuidado, para a consequência não ser negativa”, disse Jace Araujo, secretária de Turismo de Barra dos Mendes.

Nessa terça-feira (25), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que é responsável pela área, publicou um decreto com os procedimentos para reabertura das Unidades de Conservação Federais para visitação pública. No entanto, o Parque Nacional da Chapada ainda não possui data de retomada. O CORREIO procurou o gerente regional responsável pelo parque, mas não obteve retorno.

Marcela d’Marins, que é analista ambiental do parque, explicou que o decreto não determina a reabertura imediata e que isso tem que ser algo conversado com os órgãos públicos e a sociedade civil. “No Parque Nacional há uma demanda pelo Vale do Pati, que fica entre Mucugê e Andaraí, e a associação de moradores não quer receber visitantes durante a pandemia”, afirmou.

Vivaldo Domingos, presidente da associação, confirmou o sentimento da população do local e explicou que, em Mucugê, o turista só deve ter acesso à estrutura turística da cidade e do Parque Municipal. “Se o parque abrir e o pessoal quiser acampar, é uma decisão da pessoa, mas eles não terão acesso às nossas casas, que costumam hospedá-los. Aqui não é uma região com fácil acesso à saúde para estarmos nos arriscando”, disse.

Tendência 
A retomada do turismo na Chapada Diamantina é baseada na noção de que os passeios ao ar livre, junto à natureza e sem aglomerações, são as tendências da retomada turística, segundo Jorge Ávila, da Setur. “A zona turística da Chapada é composta por 34 cidades e, junto com esses municípios, estamos construindo esse protocolo que vai padronizar as ações na região, o que traz segurança para a população e os turistas”, afirmou.

O protocolo desenvolvido tem como base os estudos feitos por outras instituições, como a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e a Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta), além do programa Turismo Responsável do Ministério do Turismo, que criou um selo para atestar as empresas que aderirem às boas práticas de proteção contra o novo coronavírus.

“O mais importante desse processo é a conscientização da responsabilidade compartilhada entre empresários, funcionários, prefeituras e também do próprio turista. Todo mundo vai ter que contribuir obedecendo as medidas e tendo consciência da sua responsabilidade. Essa unidade entre toda a zona turística já tem que ser construída”, disse Jorge Ávila, da Setur.

Por ano, 140 mil pessoas visitam Lençóis, segundo o balanço da Prefeitura. A cidade, que tem pouco mais de 11 mil habitantes, recebia gente de todos os lugares do mundo. “A gente ainda está fazendo um estudo para dimensionar o impacto desse período parado, mas com certeza é enorme, pois perdemos feriados, altas temporadas. Agora, vamos voltar com cuidado. Pedimos aos turistas que venham com calma e se programem com antecedência”, disse Renata Ferraz.

Quem depende desse tipo turismo não vê a hora de voltar a trabalhar. “Eu sou defensor de que esse protocolo seja feito e que sejam informadas todas as medidas para a população. Sem protocolo, prefiro que fique fechado, pois é muito perigoso tanto pra mim quanto para o cliente”, disse o guia turístico André Muinhos, 38 anos. Para sobreviver, o rapaz está recebendo o auxílio emergencial do Governo Federal.

Moradora de Lençóis, Liliane da Silva Sodré, dona da pousada Villa Almm, descreveu seu sofrimento. “Estamos parados, sem receber clientes e sobrevivendo do auxílio emergencial para comer. As contas estão atrasadas”, afirma. Ela entende a importância das medidas de isolamento, mas espera retomar sua atividade econômica. “Vamos abrir a pousada, mas com tudo diferente. Vamos priorizar o distanciamento e não permitir aglomerações, por exemplo”, disse. Antes da pandemia, a pousada Villa Almm recebia até 15 pessoas em quatro quartos. “Com a nova realidade, esse número vai diminuir”, confirmou.   Com informações do Correio da Bahia.

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