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Moradores criticam cancelamento de réveillon em Guanambi

Quem tinha planos de passar a virada do ano na festa promovida pela Prefeitura de Guanambi, no sudoeste da Bahia, ou pretendia lucrar com o evento, teve uma surpresa desagradável nesta semana. As autoridades sanitárias do município decidiram cancelar os dois dias de shows gratuitos que aconteceriam no próximo final de semana na Praça do Feijão por conta do aumento no número de casos de covid-19. O evento deveria reunir cerca de 30 mil pessoas, de acordo com a gestão municipal.

A expectativa era que os shows de Eduardo Costa, no dia 30, e do Trio Parada Dura, 31, movimentassem a economia ao atrair visitantes de cidades menores, além dos moradores. O investimento também foi alto. Só os fogos de artifício para a hora da virada custaram R$183 mil à prefeitura. Tudo parecia estar pronto quando o Conselho Municipal de Saúde (CMS) decidiu que a festa não deveria ocorrer e orientou o secretário de Saúde e o prefeito, que seguiram à risca a indicação.

“Considero que essa foi uma decisão razoável tomada em conjunto e compreendendo a realidade da saúde pública do município e da região”, defende o enfermeiro Mário Júnior, presidente do Conselho Municipal. A decisão foi divulgada na quarta-feira (21).

Com o aumento do contágio da covid-19, a cidade que ficou 59 dias sem registrar sequer um caso da doença nos últimos meses, tem agora 97 casos ativos – sendo 25 deles registrados nas últimas 24 horas – de acordo com a prefeitura. Não há nenhuma pessoa internada em decorrência da doença no município e a taxa de positividade dos testes de covid realizados está em 50%.

O secretário interino de Saúde, Coronel Lira, aprovou o cancelamento dos festejos e alertou para a situação da China, que volta a registrar casos da doença. “Sabemos que esses eventos trazem muita alegria e são importantes, mas a recomendação é que o tradicional réveillon não se realize em função do risco latente da retomada de casos”, afirma.

Guanambi aparece em quinto lugar no ranking das cidades com maior número absoluto de casos ativos no último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab). A quantidade, 158, é maior do que o número divulgado pela prefeitura.

Por serem números absolutos e não levarem em consideração a proporção do número de habitantes, os casos ativos podem não dar a real dimensão do contágio na localidade. Sabe-se, no entanto, que a cidade de 84 mil moradores não aparece entre as 10 cidades com o maior crescimento de casos ativos registrados no estado nos últimos cinco dias (confira lista abaixo).

Enquanto a festança gratuita foi cancelada, um evento privado de grandes proporções não teve os planos adiados, o que intriga moradores da cidade. “As pessoas aqui estavam torcendo para o retorno da festa de final de ano. O cancelamento dificulta que grande parte da população consiga ter uma comemoração, já que essa é a única festa aberta ao público”, diz a microempreendedora Yasmin Santos, 22.

A poucos quilômetros da Festa do Feijão, que deverá estar pouco movimentada sem os shows no dia da virada, moradores e visitantes estarão curtindo uma festa com cinco atrações musicais no Clube de Campo Guanambi. Para ter acesso ao evento, é preciso desembolsar pelo menos R$250, sem contar o consumo dentro da festa.

“É um valor muito alto para a realidade de Guanambi e para a questão social do país”, critica Yasmin.

Apesar de a festa privada não ter sido cancelada, a prefeitura garante que divulgará medidas sanitárias para nortear os eventos em que há possibilidade de controle de acesso. O decreto do Governo do Estado que está em vigor desde 29 de novembro exige a comprovação da vacinação contra a covid-19 em eventos com venda de ingressos.

Entre as ruas da cidade do interior, os comentários são de que a prefeitura não tinha dinheiro para realizar a festa e por isso desistiu do evento, que nem sequer foi anunciado antes do cancelamento. “A gente não pode dizer que foi cancelado, já que eles não anunciaram que teria”, afirma Mayara L., 32, que nem sabia quais seriam as atrações do evento.

Do outro lado, a gestão afirma que os certames licitatórios de estrutura e show pirotécnico já haviam sido finalizados e deverão ser utilizados em evento posterior. As opções são o São João ou o aniversário da cidade, comemorado em 14 de agosto.

Mayara L. é dona de um comércio na cidade e conta que havia a expectativa de que a festa da virada acontecesse, especialmente entre aqueles que incrementem o lucro nessas oportunidades, como donos de bares e restaurantes. “O evento colabora para a movimentação do comércio no fim de ano e sem ele, o ano que já foi bastante parado finaliza ainda pior”, diz.

O dono de uma pousada da cidade que preferiu não se identificar, também criticou o cancelamento da festa. “Os comerciantes já se organizaram, compraram os produtos e a prefeitura cancela em cima da hora o evento”, reclama.

Cada cidade deve analisar suas próprias condições, diz Conselho Estadual de Saúde

A reportagem não encontrou nenhuma outra cidade na Bahia, além de Guanambi, que tenha optado pelo cancelamento das festas de final de ano. Para Marcos Sampaio, presidente do Conselho Estadual de Saúde (CES-BA), cada cidade tem suas peculiaridades e as medidas de prevenção devem ser tomadas de acordo com as condições sanitárias.

“Foi importante que a gestão de Guanambi analisasse os dados e tomasse uma medida que protegesse a população. Cada gestor deveria olhar os indicadores porque são eles que dizem como cada município deve se comportar”, defende. Marcos Sampaio demonstra preocupação com o aumento de casos de covid-19 no estado – foram 2.132 nas últimas 24 horas – e critica a falta do uso de máscaras.

Em Salvador, o Festival da Virada levará uma multidão à orla da Boca do Rio, entre os dias 28 de dezembro e 1º de janeiro. O presidente do Conselho Estadual indica que as pessoas completem o ciclo vacinal e evitem aglomerações caso tenham sintomas de gripe.

“Pessoas que estiverem com suspeitas de covid-19 devem ser orientadas a não irem para a festa para que não tenhamos um aumento no número de casos, o que podem nos comprometer no futuro”, analisa. Segundo Marcos, um aumento da contaminação no próximo ano pode prejudicar o Carnaval.

Com informações do Correio.

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