sexta-feira ,22 outubro 2021
Página Inicial / Economia / O PIB cresceu e você nem notou? Saiba por que

O PIB cresceu e você nem notou? Saiba por que

O principal termômetro da economia brasileira indica que o país retornou às condições anteriores à pandemia do coronavírus. No primeiro trimestre de 2021, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,2%, após o país encerrar 2020 com uma queda de 4,1% na atividade econômica. O desempenho, levemente acima do que era esperado pelo mercado, foi impulsionado sobretudo pela agropecuária, com uma ampliação de 5,7%.
A indústria contribuiu com 0,7%, impulsionada pelas atividades extrativas, com alta de 3,2%, e a construção civil, com 2,1%. Por outro lado, as indústrias de transformação registraram um encolhimento de 0,5%, impactada pela produção de alimentos. Porém, a grande explicação para a sensação de que pouca coisa mudou no cenário econômico está no setor que mais emprega no país, o de serviços.
Mesmo com um indicativo de recuperação, a economia brasileira ainda está 3,1% abaixo do pico da atividade econômica, registrado em 2014. Em relação ao primeiro trimestre de 2020, o crescimento foi de 1%.
O chamado terceiro setor até que registrou uma leve alta de 0,4%, mas não em atividades com grande impacto na geração de empregos. Estas dependem de aglomerações e contato social.
Classificado nas estatísticas oficiais como “outros serviços”, o ramo de alojamento, alimentação, lazer e turismo responde por 20% do PIB e 32% do emprego no país.
Essas empresas ainda estão com um nível de atividade 9,5% abaixo do patamar pré-crise, do último trimestre de 2019, enquanto o PIB como um todo já voltou àquele nível.
Serviços que empregam menos, como informação e financeiro, por outro lado, já se recuperaram da crise e estão em pleno crescimento. “Na pandemia, a atividade econômica mais favorecida foi a financeira, por conta do aumento do crédito e também da poupança entre a população de mais alta renda, que conseguiu reduzir os gastos em razão do isolamento social”, explica Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.
“Enquanto a pandemia não passar, vai ser essa questão de ter um PIB até um pouco melhor do que inicialmente previsto, mas com pouco emprego. São dois mundos, uma economia em duas velocidades”, avalia Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da FGV). É o que ela chama de “lado B do PIB positivo”.
Rafaela Vitoria, economista-chefe do Banco Inter, afirma que, apesar da expectativa de melhora do mercado de trabalho no segundo semestre, questões como a renovação do auxílio emergencial e a criação de um novo programa de renda mínima para 2022 são fundamentais.
“Apesar de uma recuperação a partir do segundo semestre por causa da vacinação, a gente ainda vai sair da pandemia com o mercado de trabalho bem mais fragilizado. Então programas sociais vão ser ainda fundamentais para a gente ter um crescimento mais sustentável de longo prazo”, afirma Vitoria. “A gente tem um PIB forte, mas um mercado de trabalho ainda fraco”.
O presidente Jair Bolsonaro avaliou o resultado como um sinal de que a economia está “voltando ao ritmo otimista do período pré-pandemia”. Ele defendeu o resultado como um acerto do governo dele ao “proteger empregos e garantir a dignidade dos brasileiros”, mesmo durante a pandemia.

Sobre Redação

Você pode Gostar de:

CHAPADA: Chapada Diamantina tem o primeiro Winemakers do Norte Nordeste em Morro do Chapéu

A Bahia ganha mais um atrativo. Começa neste outubro a primeira Edição do Projeto Winemakers …