sexta-feira ,17 setembro 2021
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Chapada: Mineradora Brazil Iron anuncia a criação de um canal de comunicação para ouvir as demandas das comunidades de Piatã e Abaíra

Audiência Pública comunidade da Bocaina | Foto: Divulgação

Em audiência pública realizada na manhã desta quinta-feira (09), a mineradora Brazil Iron anunciou a criação de uma ouvidoria como forma de abrir um canal de comunicação com os moradores dos municípios de Piatã e Abaíra, na Chapada Diamantina.

O evento foi convocado pelo promotor de Justiça da região, Augusto César de Matos, para discutir o impacto ambiental da mineração nas comunidades de Bocaina e Mocó. A audiência aconteceu no Centro Educacional de Bocaina, zona rural do município de Piatã, com a presença de moradores, organizações sociais, representantes da companhia; do prefeito de Piatã, Marcos Paulo (PDT), e da secretária de meio ambiente, Syria Santos.

Durante a audiência representantes da comunidade afirmaram que existem diversos transtornos como contaminação das águas, problemas de saúde provocados por poluição do ar e estresse em razão das sirenes, sons, ruídos, buzinas e explosões constantes e a prática de atos de danos a imóveis rurais e invasões de domicílio. Também alegaram prejuízos com rachaduras e desmoronamento de imóveis, inviabilidade da agricultura familiar e a destruição do modo de vida sustentado pela população (Veja aqui).

Quanto ao solo André Alves, gerente de mina da Brazil Iron, falou sobre os procedimentos de operação da mineradora, esclarecendo temores de que não há perigo de deslizamento de depósito de estéreis, já que a mineração é feita a seco, sem barragem de rejeitos,  minimizando impactos ambientais.

No evento também houve reclamações da população sobre as implantações de projetos sociais na localidade que não estão em consonância com a vontade do povo. Pediram respeito, clamaram que suas vozes fossem ouvidas.

O gerente de logística da companhia, Roberto Mann, reconheceu a necessidade de melhorar o diálogo com os moradores. A ideia é avaliar as demandas das comunidades vizinhas à mina e atendê-las dentro das possibilidades da empresa. O assessor jurídico da Brazil Iron, Luiz Felipe Siqueira, também reconheceu essa necessidade.

“A mineradora está aberta para ouvir as demandas e minimizar os impactos ambientais. Estamos aqui para ouvir, levar em consideração e tentar resolver”, declarou Roberto Mann.

Foto: Divulgação

O promotor Augusto de Matos citou a importância da mineradora ter segurança jurídica para continuar a produzir, lembrando que todos os condicionantes para a sua operação serão avaliados e, eventualmente, podem ser revisados.

Ele recomendou que a atividade minerária na Serra da Bocaína, seja feita de forma sustentável e com ações transparentes na comunidade. Além disso, recomendou que a empresa execute um trabalho social com atenção às comunidades e para minimizar os impactos sociais e ambientais.

A Brazil Iron iniciou os trabalhos em 2011, em Piatã. A produção foi suspensa em 2014 para realizar estudos e pesquisas com o objetivo de ampliar a capacidade da mina. No quarto trimestre de 2019, a mineradora voltou a funcionar após a definição de um plano estratégico.

Roberto Mann salientou o retorno econômico e social que a atuação da empresa tem trazido para o município de Piatã, como a geração de 420 empregos diretos e mais de 2000 empregos indiretos; além da receita de R$20 milhões da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) para a cidade (Veja reportagem aqui).

Também destacou a implantação de ações sociais para as comunidades, como o atendimento da enfermeira no Posto de Saúde da Família (PSF), viveiros de mudas nativas, oficina de fotografia e vídeo para jovens e o projeto Bem-estar e Saúde, com profissionais de enfermagem, educação física e fisioterapia.

A empresa ainda informa que realiza a extração e minério de ferro na mina Mocó mediante Guia de Utilização para Mineração Experimental expedida pela Agência Nacional de Mineração (ANM), autarquia federal, vinculada ao Ministério de Minas e Energia. Na ocasião, a gerente de meio ambiente da companhia, Nayara Silva, refutou a acusação de que a Brazil Iron funciona sem licença ambiental. Afirmou que todos os estudos ambientais necessários foram feitos e que, após o encerramento da atividade, a área de mineração será reabilitada com a revegetação.

Veja video da reunião:

Chapada News

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