quarta-feira ,10 agosto 2022
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PODCAST: Artur Magalhães, empresário, conta como abandonou tudo e partiu em viagem pelo mundo por três anos

Nesta segunda (1), o 9° Podcast da Chapada, foi com Artur Magalhães, um empresário da cidade de Seabra, na Chapada Diamantina, dono e administrador das academias Francisco Filho. Artur é um cara muito focado e dedicado em tudo que faz, e diz que herdou muito disso do pai. Então, a história não poderia ser diferente, ele já começa relembrando do pai e dos seus últimos dias na terra e os impactos que tudo isso trouxe para sua vida.

No podcast ele relembra a pessoa incrível que era seu pai, sua maior referência. Ver seu pai lutar contra o câncer, por dois anos, lhe fez perder, pouco a pouco, a fé e a crença, e sua morte lhe causou um imenso vazio, um dos motivos que o levou a fazer uma viagem pelo mundo afora, durante 3 anos, para se reconectar. “Colocar as coisas no lugar. O Artur já não estava bem consigo mesmo”.

Artur ainda relembra que não chorou a morte do pai, “tenho que ser forte”, mas que chorou muito durante sua peregrinação pelo mundo. Talvez por ter guardo todo aquele sentimento. Mas, graças a viagem hoje sente a espiritualidade com mais intensidade.

Conhecer o mundo era um sonho antigo e há muito tempo planejava essa viagem, então em janeiro de 2018, finalmente partiu. E, logo nos primeiros dois meses de viagem, passou por um grande teste: a morte trágica de seu irmão. Estava em Porto Seguro, pensou em voltar, mas optou por encontrar a família em São Paulo, onde foi o velório. Após o processo, ele voltou para sua rota de viagem, e não para casa.

A viagem:

Artur escolheu como destino final Ushuaia na Argentina, mas seu sonho era conhecer toda a América Latina. Lembra que dias antes da viagem, fez uma trilha sozinho, por 7 dias, a trilha da Cachoeira do Calisto (no Vale do Pati). Essa trilha foi crucial para sua viagem. No final, conheceu um senhor que lhe disse algo que o fez arrepiar: “prepare-se, essa será sua primeira viagem solitária de muitas”.

Apesar de sua família não acreditar ser possível fazer uma viagem sozinho de carro, ele seguiu com esse objetivo, e para tal montou um planejamento, fez algumas adaptações em seu Onix e partiu. Seu gasto na peregrinação era muito menor do que ele gastava para se manter na cidade de Seabra. Girava em torno de 1/3 do que gastava em Seabra. Isso por que não gastava com hospedagem, pois dormia no próprio carro e também fazia sua própria comida em um fogareirozinho. Somente no Chile gastou um pouco mais do que gastava para se manter em Seabra, pois a moeda lá valia menos.

Durante sua viagem, muitas pessoas pensaram que seu negocia iria falir, mas ele já não se importava mais com esse quesito, tudo que ele queria era “viver”. Artur se desligou, de fato, de sua vida em Seabra, até com a família não mantinha contato constante, ficando meses sem lhes dar notícias. Mas, ao retornar, muitas coisas mudaram com ele e com as pessoas que o cercam, passando a demonstrar muito mais seus sentimentos e a dizer “Eu te amo”.

Artur explica por que ignorava as mensagens dos parentes: sentia uma imensa necessidade de silêncio e meditação. Necessidade suprida no Rio de Janeiro ao encontrar um recanto de meditação gratuito, onde permaneceu dias e horas sem emitir uma só palavra, com absolutamente ninguém, apenas meditando. Só interrompia a meditação para alimentar-se, e lá ficou por dois meses, colaborando com serviços para que outros envolvidos também focassem em sua meditação.

Inicialmente seus planos era viajar por um ano. Mas, um ano se passou e ele ainda estava viajando dentro do Brasil. Nesse marco chorou de saudades da família. O segundo ano chegou, e ele pensou em desistir e voltar para casa, mas sentiu que ainda não era o momento. E, somente dois anos e meio depois do início da sua viagem chegou em seu destino, Ushuaia na Argentina. Foi em Ushuaia que sentiu que era hora de voltar. Ele finalmente estava saciado e curado. “Se eu morresse naquele dia eu estava satisfeito” conta.

Muitas são as recordações de Artur, que o levam a se emocionar. Uma delas é um belo bilhete que sua mãe escreveu quando seu pai ainda estava doente, para depositar na Igreja, não o fez e lhe entregou dois dias antes de viajar. Leu nuca mais abriu o bilhete, pois, a mensagem ficou para sempre em sua mente. Outra recordação, foi uma trilha na Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, pelo caminho ele deparou com pilhas de pedrinhas e ele recordou que alguém falou que as pessoas empilhavam as pedrinhas e faziam um pedido. Ele nada queria, mas mesmo assim pegou uma pedrinha e neste momento ele sentiu a presença do pai lhe dizendo que pedido fazer.

Dentre suas experiências, uma das mais marcantes está na alimentação. Ele é vegetariano. Na Argentina, sentiu muita falta de feijão, pois os argentinos têm como base de alimentação carne, arroz e batata. Ainda lembra que em algumas fronteiras é necessário jogar fora o alimento que comprava nos mercadinhos e levava no carro, pois um país não aceita nada vindo do outro, por causa das pragas.

Outro fato marcante foi a experiência de desconstrução de preconceitos culturais que ele tinha. Na viagem ele foi se encontrando. “Você vai vendo a sua feiura, como algo normal, e que aquilo que você vê de normal no outro, está dentro de você”. Na Argentina, se chocou ao receber um beijo no rosto do pai de uma amiga. Mas, dois dias depois, em Buenos Aires, viu que todos eram afetivos da mesma maneira, sem o preconceito machista do Brasil.

Artur ainda conta dos percalços enfrentados na viagem, com roupas roubadas, abordagem da polícia, susto dos argentinos com sua panela de pressão, dos amigos alternativos que fez na Ilha de Itacaré e de uma confusão que ele presenciou e até arma apareceu.

Seu retorno ao Brasil também lhe foi um grande desafio, em plena pandemia. Quanto mais se aproximava de casa, maior era o sentimento de despedida da vida. Foram três anos viajando, os quais Artur descrevem como “uma aventura, um autoconhecimento, novos amigos”.

Conheça essa história incrível do empresário que viajou três anos em um carro popular, de como ele se tornou pai mesmo sem ter filhos biológicos e de como conquistou sua Academia Francisco Filho, clica no https://youtu.be/Mu7HfdIEOso

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