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PODCAST: Smitson Oliveira, fotógrafo, que já foi carteiro, bancário, vereador, e é militante

Nesta segunda-feira (26), o 13° Podcast da Chapada, foi com Smitson Oliveira, que já foi carteiro, bancário, vereador, e atualmente é militante e fotógrafo. Ele nos deu a honra de conceder entrevista para o Podcast no dia do seu aniversário de 70 anos.

A família do entrevistado é do povoado de Campestre, zona rural de Seabra, na Chapada Diamantina, porém ele nunca morou lá, teve sua vida toda na cidade. Na infância e juventude morava no centro de Seabra, próximo à praça dos Correios. Ele conta que teve uma infância tranquila, brincando de puxar carinho, de bandido, de brincar de tiro, sinuca de bolinha de gude, contar história de defunto à noite. Ainda se lembra que era seu Nildo que apagava as luzes da rua às 10h da noite, o que fazia a criançada correr para suas casas com medo.

Em sua infância ele estudou na Escola Juracy Magalhães, onde é a atual biblioteca Municipal da Cidade, depois foi para o Filinto, que antigamente se chamava Nuclear. Relata também que teve uma infância e adolescência bem tranquila, mas que sua vida ficou mais agitada quando teve que ir para Salvador.

Smitson também foi um dos primeiros carteiros de Seabra, exercendo a profissão por dois anos. Até que, por necessidade, teve que se mudar para Salvador para continuar estudando. Ainda relata que quatro dos seus irmãos já estavam lá, o que tornou sua ida e adaptação mais fáceis.

Ao chegar em Salvador estudou no Colégio Central, e trabalhou por três meses numa loja de calçados, mas logo saiu, pois passou numa seleção para trabalhar no Baneb, o atual Banco do Bradesco. No Baneb ele trabalhou por três anos, foi nesse período que começou a se envolver com política e entender mais sobre política através de questões sindicais.

Também recorda que ele e alguns amigos começaram a militar por uma casa de estudantes para Seabra na cidade de Salvador. E para angariar fundos para esse projeto, aos domingos vendiam jornal, tudo isso no final da década de 70.

Pouco tempo depois de entrar no Baneb se filiou ao PCdoB (Partido Comunista do Brasil), que até em então era ilegal, por causa da ditadura militar. Ele já tinha um irmão que era filiado ao partido e militante. Decisão essa que mais adiante levou a sua demissão no banco por questões políticas, assim ficando um bom tempo desempregado.

Com a dificuldade em conseguir um novo emprego, e com o anúncio do edital para o concurso do Banco do Brasil, ele viu a oportunidade de voltar para a carreira bancária, e para Seabra. O que o levou a abdicar de tudo durante alguns meses e estudar para o concurso. Em 7 de Dezembro de 1981 ele entrou na Banco do Brasil.

Novo Smitson em Seabra:

Como bancário em Seabra, participou de grandes lutas sindicais por direitos, conseguindo boas vitórias. Além de também ter sido delegado sindical em Seabra.

Em movimentos por direitos dos bancários, ele se tornou um grande líder, evoluindo naturalmente para um líder partidário. Na época do Banco do Brasil se filiou ao MDB (Movimento Democrático Brasileiro), e lançaram uma chapa a prefeito. Vale ressaltar, em Seabra não era possível continuar militando no PCdoB por causa da censura, e por questões de segurança, da forte ditadura. Além de em Seabra só haver dois grupos políticos, os “malês e jacus”.

Neste período a cidade era comandada pelos Jacus (O prefeito era Iovane, do partido PDS1). Tanto o PDS1, como o PDS 2 era grupos filiados de Antônio Carlos Magalhães (o governador ACM).

Quando a ditadura indicou a governador Roberto Santos, que era desafeto de Antônio Carlos Magalhães (ACM), Bimbinha (Arminio Athayde) do PDS2 se aliou a Roberto Santos. Logo Bimbinha se tornou inimigo de Antônio Carlos Magalhães.

Bimbinha era muito popular na região e se elegeu uma vez, promovendo uma revolução na administração, o que o levou, por causa de manobras políticas a ser cassado. Foi o 1° Prefeito cassado de Seabra, ficando em exercício somente seis meses. Após sua cassação, Tertuliano assumiu o mandato, por seis meses.

Em 1989 Smitson foi eleito vereador. Com um grande apoio de Bimbinha. Nesse período já era casado com a filha de Bimbinha, e fazia oposição ao atual prefeito Iovane Guanaes. Seu relacionamento não era visto com bons olhos pelo meio político, já que a família Oliveira (a de Smitson) era oposição aos Athayde (a de Bimbinha).

Agora falando sobre a saída de Iovane e entrada de Dálvio Leite (do grupo dos male), o que se tornou um fato histórico. O governo dos jacus já vinha desgastado o que levou o pessoal a revoltar-se. Quando Dálvio assumiu a prefeitura estava tudo muito desgastado, os carros estavam tão velhos que o pessoal fez um desfile dos carros desgastados.

Sobre a apuração dos votos: eles eram feitos no fórum, onde se isolava tudo para que a população não tivesse acesso a apuração. E isso, entre outras irregularidades, eram aceitas pelo simples fato de as pessoas não terem muita força na época para lutar contra essas questões.

Smitson foi vereador por três mandatos completos, em 89, 93, 97. Pegou uma suplência no último mandato em 2.000, ano em que passou para o PT (Partido dos Trabalhadores) e com a morte de um vereador ele assumiu.

Em seu 2° mandato de vereador, foi feita a Constituinte Municipal, em trabalho coletivo, com um longo período de discussão. Diz ficar triste, pois, com o passar do tempo, foram feitas muitas mudanças nessa Lei Orgânica do Município, sem a consulta da população.

No 1° mandato ele sentiu as dificuldades de ser oposição ao prefeito. Mas mesmo assim, um projeto dele, calçou a Rua Itaberaba. Já no 2°mandato teve a glória de ser situação, onde foi presidente e teve grandes aliados na Câmara de Vereadores. Também se lembra de ter realizado na Câmara, um concurso “limpo”, onde só foi chamado quem realmente passou. Na presidência dele também foi comprado o terreno onde hoje funciona atualmente a Câmara de Vereadores. Antes a câmara era embaixo do antigo prédio da prefeitura. Muitos até questionaram o porquê da compra, que mais adiante o futuro presidente Joilson comprou a posse do lado, unindo e virando apenas um terreno, onde atualmente está localizada a Câmara de Vereadores.

Graças ao grande conhecimento que Smitson tinha e seu tempo de militância, ele questionava as ações do prefeito, era bem ativo em suas ações, levando até os seus colegas a questionarem mais. Ele fazia questão de que a população participasse das discussões na câmara, criação de leis e projetos, o que atualmente não acontece.

Smitson diz se sentir aliviado após ter perdido sua 5º Eleição, pelo fato de poder passar mais tempo com sua família. Em tom de graça, conta que seus filhos o chamavam de doutor reunião, de tão ocupado que ele era. Mesmo assim ele tentou mais duas eleições pelo Partido dos Trabalhadores, mas já com uma ideologia diferente, onde teve uma grande queda de votos.

Ao ser perguntado o porquê da dificuldade de se emplacar um vereador ou prefeito petista no interior, o entrevistado responde “o PT não deu a devida importância da militância no interior, por exemplo o PT veio aqui inaugurar uma obra, você já viu o governador chamar o presidente do PT para o palanque? Já viu o presidente local do PT discursar?”

Lembrando do último comício do PT na cidade (setembro de 22), ninguém da cidade discursou, isso que na opinião de Smitson é algo muito importante.

Apesar das adversidades, ele tem a esperança de que na próxima eleição para prefeito o Partido dos Trabalhadores venha a emplacar um bom candidato, “a população está querendo isso, a população quer mudar” complementa o entrevistado.

O Smitson fotógrafo:

Voltando lá atrás na história, Smitson quando foi morar em Salvador, trabalhando no Baneb, começou a gostar de fotografia. O irmão dele Stimeson trabalhava com fotografia em Salvador. O levando a também gostar de fotografia como hobby, passando a fazer cursos e workshops para aprimorar a técnica.

Smitson pode acompanhar todos os avanços das câmeras, da fotografia e da tecnologia. Se tratando desse assunto, Smitson diz ter tido muita dificuldade de se desapegar do analógico e aceitar o digital, talvez, segundo ele, tenha sido a ausência de qualidade do digital no início que dificultou essa aceitação.

Ele tem mais ou menos 40 anos na fotografia, e apesar de todo o romantismo, ele admira muito a fotografia do jovem Iago Aquino, da agência EQV.

A família

Ele tem muito orgulho da sua família, chegando até ficar emocionado ao relembrar da sua esposa, a qual ele perdeu recentemente. Sua esposa, o ajudou muito no período político “eu era muito sonhador e ela muito pé no chão”.

Ele sempre achou que morreria antes da mulher, mas ela, que mesmo se cuidando bastante, acabou partindo antes. Porém ele ainda não superou a perda.

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