terça-feira ,11 maio 2021
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Predominância da pandemia adia discussões políticas e reforma administrativa de Rui

As exigências criadas pela pandemia da Covid-19 é a resposta primeira de qualquer membro da base governista de Rui Costa (PT) quando questionado sobre a tão esperada reforma administrativa no governo. A ponderação é feita até mesmo por membros de partidos mais ansiosos pelas acomodações após as alianças firmadas nas eleições municipais de 2020, principalmente na capital, que são o PSB e o Podemos. 

Considerando as mesmas eleições municipais, a expectativa também ronda legendas como PCdoB, que bancou a candidatura da deputada estadual Olivia Santana, o PL e o PDT, os quais, na corda bamba do apoio, fecharam com Bruno Reis (DEM) em nível municipal. Espaço na administração, de fato, nenhuma sigla negaria, mas, diante da crise sanitária, acabam suavizando a cobrança. Ninguém quer carregar a placa de “insensível”.  

Nos bastidores, a inexistência de convocações para reuniões do conselho político, que já beira os dois anos de lacuna, reforça a imagem de “pouco dado ao diálogo”, que muitos dedicam ao chefe do Executivo baiano. “Um excelente administrador, mas peca nas relações políticas”, diz uma fonte. “O governo está sem articulação política. A pandemia é o elemento central”, aponta outra. Somadas as situações, o clima na base e de “espera”, ainda que ocorram conversas não oficiais. 

Ao Bahia Notícias, o presidente do PL na Bahia, José Carlos Araújo, garantiu que, até o momento, não foi oficialmente procurado pelo governador. Com foco em 2022, afirmou que tem trabalhado para fazer a chapa de deputados estaduais e federais. “O governador se preocupou com a administração dele e deixou a parte política de lado, tanto que há queixa muito grande dos políticos que não são procurados. Quando a gente conversa com prefeitos, deputados, é a queixa. O governador resolve as coisas sozinho, sem consultar”, enfatiza. 

O presidente estadual do PL diz ter conversas com o senador Otto Alencar, que preside o PSD no estado e cuja legenda ocupa parcela considerável do próprio governo. “Estamos tocando o barco, arrumando o partido. Temos conversado com Neto [ACM Neto (DEM)]. Temos que esperar o que vai acontecer aí. Temos que ser procurados. O PL não vai ser oferecer. Vai esperar para ser procurado”, completa Araújo.

O deputado federal Felix Mendonça Jr, presidente estadual do PDT, é mais incisivo. Para ele, conversar sobre política, agora, “é quase uma irresponsabilidade”, a prioridade deve estar no enfrentamento à pandemia. “Na nossa parte não vai haver solicitação de diálogo”, diz. No caso do PDT, que comanda a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri) e da Junta Comercial da Bahia (Juceb), a manutenção da atual composição é uma fator favorável. 

Transferir o comando da Seagri para o PSB, presidido pela deputada Lídice da Mata, como retorno do acordo firmado em 2020, quando Lídice recuou de uma candidatura própria e a deputada Fabíola Mansur compôs a chapa majoritária na condição de vice da petista Major Denice, faz parte do rol de possibilidades na futura reforma, de acordo com fonte ligada ao governo. 

A pasta reúne ações suficientes para garantir ao PSB avançar até mesmo no interior do estado, na medida em que favorece a criação de pontes com prefeitos e lideranças. Ainda que tenha sido esvaziada com a criação da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), a Seagri agregaria politicamente ao PSB, que hoje comanda apenas a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema).  

Lideranças da base sugerem que, com a tendência de reequilíbrio dos índices da Covid-19, o governador passe a se ocupar da questão. “Esperamos que ocorra no máximo até o final do primeiro semestre. Não tem como não ocorrer uma reforma. O governador terá que encontrar o momento mais oportuno”, pondera uma liderança. A ideia do governo é evitar pequenas mudanças. Quando forem feitas, a dança das cadeiras deverá ser em um único ato. 

“O Podemos participa do governo e gostaria de ter uma participação maior, mas é uma coisa que só diz respeito ao governador. Nós temos secretarias que estão sem titular. Temos secretários que serão candidatos. Temos ajustes de 2020 que ainda não foram feitos”, avalia o presidente estadual da legenda, deputado federal Bacelar. Nesta quarta-feira (14), o Bahia Notícias veiculou a possível indicação de um nome do partido para comandar a Secretaria de Turismo da Bahia (Setur) (reveja).

 A Setur, de fato, conforme diálogos de bastidores, é parte do pacote de acordos feitos pelo governador para viabilizar os apoios em 2020. A negação de Bacelar sobre pressionar a indicação, feita após a publicação da matéria, pode facilmente se enquadrar na ideia de “que seja feita no momento oportuno”. 

Parte conselho político na condição de presidente estadual do PCdoB, para o ex-deputado federal, Davidson Magalhães, é “natural e correto” que os desdobramentos da pandemia ocupem o espaço. “Não dá para pensar em outra coisa. Não dá para pensar em reforma administrativa nem em 2022 nessa pandemia”. Magalhães garante que, mesmo com o senador Jaques Wagner (PT), nome já fixado pelo Partido dos Trabalhadores como o candidato para disputar a sucessão de Rui Costa nas próximas eleições estaduais, o assunto prioritário é a pandemia. 

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