segunda-feira ,18 outubro 2021
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Seabra: casal morre vítima de Covid, com 24 horas de diferença de um para o outro.

Devido às complicações da Covid-19, casal morre em Seabra, na Chapada Diamantina, com diferença de 24 horas entre a mulher e o marido. É mais uma tragédia em família que a Covid-19 faz na cidade, abalando parentes e impressionando os moradores.

O marido, Sr. IOVANES ALVES DE OLIVEIRA CONCEIÇÃO, conhecido por Vane, de 81 anos e sua esposa Sra. ISAULINA ROSA DE SÁ TELES, conhecida por Zizinha, de 72 anos vieram a óbito em quase de 24h de diferença. Dona Zizinha faleceu na sexta-feira (25), oito dias após dar entrada no Hospital Regional da Chapada em Seabra. O Sr. Vane veio a óbito no sábado (26), seis dias após sua transferência para o Hospital Ernesto Simões Filho em Salvador.
VACINAS E INTERNAÇÕES – o Sr. Vane tinha tomado as duas doses da vacina, entretanto a 2ª dose foi em 28 de maio, e ele testou positivo entre os dias 12 e 13 de junho, ou seja, dentro do limite dos 15 dias após 2ª dose. A Sra. Zizinha, estava indo tomar sua segunda dose da vacina na terça, 15 de junho, mas como o marido havia testado positivo e ela apresentava sintomas, não pode tomar e foi encaminhada ao Convidário, onde detectaram baixa saturação e foi então encaminhada para a UPA, onde já se encontrava internado seu marido, com quadro de isquemia e diabetes, comorbidades essas anteriores à covid e com dificuldade em se alimentar. A própria mãe ligava para os filhos e relatava a situação do pai e pedia para eles cuidarem do pai, pois ele era sua maior preocupação. Isso trazia ainda mais dor aos familiares, ver marido e mulher dividir o mesmo espaço, separados por fina parede.

REGULAÇÃO E FALECIMENTO – A Sra. Zizinha ficou na UPA aguardando regulação da terça (15) até quinta (17), porém, somente na sexta (18), ao passar muito mal, foi transferida para o Hospital Regional da Chapada, com saturação muito crítica, onde precisou ser imediatamente intubada. Apesar de ser uma guerreira, que impressionou aos médicos ao entrar na ambulância caminhando, mesmo com grave falta de ar, no decorrer da internação na UTI, a Sra. Zizinha apresentou problemas renais e precisou de hemodiálise, o que agravou mais o seu quadro clínico. Oito dias após dar entrada no Regional da Chapada, a mesma teve uma parada cardíaca e veio a falecer na sexta-feira, 25 de junho.
O Sr. Vane ficou na UPA de segunda (14) até sábado (19), dia que saiu sua regulação para Salvador. Porém, devido a seu quadro grave, somente poderia ser transferido via linha aérea, o que aconteceu no domingo (20). Às 10 horas, como relata Ivan, um dos filhos, um senhor do cabo da enxada, que nunca voou de avião, pegou seu primeiro e último voo rumo a Salvador. Chegou na capital com quadro grave de desnutrição, precisou de sonda, mostrou leve reação, não precisou de intubação. Mas com quadro sempre muito crítico, desnutrido e com diabetes, após muita batalha, não resistiu e veio a óbito no sábado, 26 de junho. Um dia após sua esposa falecer em Seabra.

HISTORIA DE VIDA- Sr. Vane e Dona Zizinha eram casados há 44 anos, tiveram 4 filhos, sendo 2 homens e 2 mulheres, sendo que Sr. Vane já tinha 1 filho antes de casar. Deixaram também 10 netos e 1 bisneta. E com 1 bisneto previsto para chegar em breve. Ele, o pai é oriundo do povoado de Pedreira, localidade onde atualmente não há mais habitantes, e fica entre Laranjeira e Palmeirinha. Ela, a mãe, veio do povoado de Saquinho, após o Beco. Ambos povoados do município de Seabra. Em 1976 casaram e migraram para a sede da cidade, residindo no Centro, próximo à Igreja São Sebastião, numa casa herdada pelo pai de sua mãe que o adotou ainda criança. Após falecimento dessa mãe, houve a partilha e a irmã ficou com a casa e o pai com um terreno próximo à Telebahia, com isso, a família retornou para a Zona Rural, onde permaneceram por 15 anos. Em 1998, vieram para a cidade, residindo em uma casa que o pai comprou, no bairro Artur Alves. Porém, intercalava cidade com zona rural, mas nos últimos 10 anos, fincou residência exclusivamente na cidade, devido à necessidade de tratamento de saúde e idade avançada. Eram um casal batalhador, divertido. A mãe gostava de fazer um bolinho para cada neto e de receber também. Assoviava e cantava a música de Diana, “Oh, meu amado”. O pai era um contato com o passado. Contava histórias de familiares que já tinham morrido, histórias folclóricas e sempre passou muito ensinamentos. Eram gratos pelo que tinham, diziam que só queriam mais saúde, o resto estava bom.

DOR DA COVID – o casal possivelmente foi infectado através de familiares, pois, segundo seu filho, Ivan, diversos membros da família apresentou sintomas leves que passou rapidamente, com exceção dele, que testou positivo e teve o quadro mais agravado. E devido à necessidade de cuidados especiais com o pai, os irmãos se revezavam entre si, para dormir com o pai. Provavelmente houve contaminação entre eles, mesmo adotando rígidos cuidados com a segurança e higiene. Após o filho Ivan ter sido internado na Upa, os pais começaram a apresentar sintomas. O pai, Sr. Vane ficou com falta de apetite e a mãe, Sra. Zizinha, tinha tosse. O pai chegou a fazer 2 testes rápidos e deram negativos. Porém, dois dias após esses testes, precisou ser internado na UPA devido à debilidade pela falta de apetite. Ficou 1 dia fora da ala Covid , mas o médico, Dr. Gil, detectou a Covid, e o mesmo passou para a ala Covid.

GRATIDÃO NA DOR – Apesar da dor das perdas, os filhos mostram muita gratidão à vida, por ter tido pais retos, dignos, fortes e exemplares, como eles tiveram, pelos anos que conviveram dentro do amor desses pais. Agradecem aos amigos e a todos que fizeram corrente de oração. E com destaque agradecem à UPA, na pessoa de Marcos e ao corpo clínico, em especial, ao Dr. Gil, aos técnicos de enfermagem dentre eles Rosângela, Bianca e Junior. Pessoas que cuidaram com carinho dos pais e dos filhos, trabalhando o psicológico com palavras de força e perseverança. A gratidão vai também para o Hospital Regional da Chapada, por ter dado um fio de esperança e ter acolhido a mãe com tanto zelo. Ao Hospital Ernesto Simões Filho em Salvador, pela deferência com o pai e pelo contato que o médico fazia diariamente. A gratidão se estende ao amigo Lauro Roberto, por ter feito de tudo pela nossa família, à Gestão Municipal, tanto para Câmara dos Vereadores, na pessoa da presidente Nenê, que esteve presente, e também ao prefeito Fabio Miranda, que fez muito esforço e correu atrás de vagas ligando para os Hospitais e amigos. Gratidão à Kátia, Secretária de Saúde de Seabra que buscou intensamente vaga na regulação.

PARABENIZAÇÃO E ALERTA– a família enlutada, na sua dor, ainda parabeniza à linha de frente das equipes de saúde da Covid, aos que já passaram e passam pelo covid e lhes deram testemunhos. Parabeniza à equipe de comunicação por levar sua mensagem a tantas outras pessoas, fazendo um trabalho social de transmitir a realidade e despertar a empatia na população. Alerta para que a vacinação avance, que as aglomerações parem, que todos os vejam como exemplo de dor. Não é necessário sentir a dor para saber que ela existe, basta ter empatia, sentir a dor do outro para que sirva de exemplo para que o amor e respeito entre as pessoas prevaleça.

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