quarta-feira ,28 setembro 2022
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SEABRA: Servidora municipal diz que foi julgada e condenada, mas nunca foi ouvida após acusação do “ato de racismo”

Sem direito à ampla defesa e do contraditório (o direito de apresentar sua versão), nenhuma acusação pode ser equilibrada e tampouco justa. São princípios garantidos em nossa Constituição Federal. E, sem ser ouvida, sem poder se defender, a professora Vaneide Alves, se manifesta publicamente e diz que, foi acusada e condenada, perdendo sua identidade e sua tranquilidade, sem ao menos poder contar sua versão dos fatos. “Nunca fui ouvida”.

Após ter sido exonerada do cargo de vice-diretora de uma escola municipal no Velame, zona rural de Seabra, na Chapada Diamantina, a professora Vaneide Alves, acusada pelos alunos adolescentes de ato de racismo, diz, em vídeo publicado nas redes sociais, na última sexta-feira (16), que sempre defendeu a igualdade, e que tais acusações são inverdades, afinal, ela é filha e neta de pessoas oriundas de comunidade quilombola. E nesta segunda-feira (19), concedeu entrevista à Radio Nova Web, acompanhada de sua advogada Adriana Oliveira, que também é Diretora Regional da APLB Sindicato de Seabra.

Em entrevista, a Professora Vaneide repassou tudo que ocorreu no dia alegado como sendo o dia da ofensa, terça-feira (13). Ela relata que no momento do recreio, dois alunos cortaram a fila e ela foi repreendê-los, porém outra aluna interveio, e enquanto ela conversava com essa aluna, um dos alunos que cortou a fila, recebeu a merenda, foi para o pátio, olhou para trás e riu. Ela, então foi ajudar a servir a merenda, devido à lentidão. Depois toucou a “campa” e os alunos regressaram às suas salas.

Em seguida, recebeu um chamado do diretor para ir até uma sala de aula onde uma aluna acusava de tê-la ouvido falar no pátio a frase: “é difícil andar com negros”. O diretor queria entender o sentido dessa frase. “Eu tirei meus óculos, pedi a ela [aluna] para olhar firme em meus olhos e afirmar essa acusação. A aluna continuou sustentando, que me ouviu no pátio da escola”, relata a professora. Porém, ao ser questionada em que dia havia sido dita a frase, a aluna disse que foi há uns 15 dias. Nesse momento, já se gerou uma repercussão na sala e os alunos foram abandonado a classe, um por um.

Segundo a Professora Vaneide, a aluna que lhe acusa, o faz por questões pessoais, pois dias atrás, já havia lhe dito uma afirmação em tom ríspido. “Essa mesma aluna a uns dias atrás brigou com uma colega do Vão das Palmeiras, eu coloquei as duas para conversarem sobre a discussão, e nessa conversa ela me disse chorando: ‘Vaneide, a gente do Vão não gosta de você e do diretor, porque vocês só suspendem alunos do Vão das Palmeiras’. Na fala dela, eu percebi uma certa revolta”, e respondi “É verdade … tanto é que nesse momento temos uma aluna do Riacho e outra da Passagem Funda suspensos”, justificou Vaneide.

Professora Vaneide diz que, após a acusação, houve aula normalmente à tarde, mas à noite o diretor lhe sinalizou que havia problemas na escola. Na manhã seguinte, como nada devia, ela seguiu para o trabalho, como de costume. Chegou muito próximo à manifestação, e então resolveu voltar para casa. Passou a tarde na cidade de Seabra, acompanhando o pai ao médico, sem acesso à internet. Somente quando chegou em casa, à noite, ficou ciente da nota de repúdio e de que o Secretário de Educação havia passado em sua casa, mas não a encontrou.

“Fui injustamente acusada de racismo contra alunos dessa comunidade [Velame]. Sou professora a mais de 25 anos e todos que me conhecem sabem da minha integridade e conduta ética, principalmente em defesa dos alunos”, declara Veneide, no vídeo.

A advogada da professora questiona a conduta da Secretaria Municipal de Educação, que na quarta-feira (14), após a manifestação dos alunos, emitiu nota de repúdio contra o racismo e no mesmo dia, o gestor publicou decreto exonerando a professora do cargo de vice-diretora. No entanto, a advogada alega que em todas as reuniões sobre o tema, a professora nunca foi convidada e jamais pode dar sua versão dos fatos e nem se defender. Mesma acusação ela entende à impressa, que noticiou os fatos, mas não ouviu a professora. Porém, reconhece que, inicialmente, também tentou contato com sua cliente e não conseguiu pois, o número que a Rádio e o Site Chapada News usaram para contatar a professora, de fato não lhe pertencia mais, fora trocado.

Para a advogada a gestão não seguiu o devido processo legal. Ela diz que orientou a Secretaria de Educação que em situações como essa, a lei diz que se deve, primeiro, abrir uma sindicância, que dá oportunidade de ambas as partes serem ouvidas, e sendo necessário, posteriormente, abrir um PAD (Processo Administrativo Disciplinar) para apurar os fatos.

“O primeiro papel [da Secretaria de Educação], ao receber uma denúncia, é seguir a lei do município, o Estatuto do Servidor Público…, mas o que aconteceu? A Secretaria colocou Nota de Repúdio, A Câmara dos Vereadores colocou Nota de Repúdio, o Site noticiou o fato… combatemos qualquer ato de racismo e todos nós temos o dever de combater, mas nós não podemos tomar uma atitude de destruir, porque as redes sociais têm esse poder. Ela falou para mim chorando, que ela perdeu a identidade, deixou de ser Vaneide professora, para ser Vaneide racista. E isso, está repercutindo na vida dela, dos filhos, dos familiares, em tudo”, rebate a advogada Adriana.

A defensora da professora ainda pontua que esse ato tem motivação político-partidária, devido ao período de véspera de eleições e quem se posiciona, se destaca. Ainda reforça que foi questionado aos pais dos alunos, nas reuniões, se os alunos já haviam relatado algum caso de racismo e eles disseram que não.

Professora Vaneide, diz que sofreu ameaças e sofre por não mais poder trabalhar. “O site diz que não colocou o nome do professor na matéria, porém, meu nome já estava esparramado na sociedade: Vaneide racista… Hoje para mim foi difícil, sempre gostei de trabalhar e hoje fiquei em casa. Não está sendo fácil para mim ser acusada de Vaneide, a racista, não está sendo fácil para mim. Espero na providência divina, na justiça do céu que tudo isso venha a ser resolvido”, encerra Professora Vaneide, chorando. Veja a entrevista completa no video logo a baixo:

 

Chapada News

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