terça-feira ,11 maio 2021
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Sem convenção coletiva há anos, comerciários podem não trabalhar no 1° de maio

Com protesto marcado para esta terça-feira (27), os comerciários ainda não sabem se sairão de casa no feriado do Dia do Trabalhado, neste sábado (1º). Isto porque, segundo o sindicato que cuida do segmento, tudo depende da discussão com o Sindicado dos Lojistas da Bahia (Sindilojas-BA) – que, inclusive, ainda precisa fazer uma proposta de Convenção Coletiva, o que não ocorre há três anos.

 

“Não estamos aqui pra travar nada. Agora, precisa que os representantes do Sindicato dos Lojistas nos façam uma proposta para o 1º de maio. Aguardamos que uma proposta seja feita para aceitar ou não. Nosso objetivo é que o comércio abra. Passamos muito tempo com dificuldades. Não é isso que queremos, mas precisamos que o representantes do Sindilojas nos apresentem uma proposta para a gente analisar”, explicou o presidente do Sindicato dos Comerciários, Renato Ezequiel, em entrevista ao Bahia Notícias.

 

“Tem que fazer uma proposta mais pujante. São três anos sem Convenção Coletiva, e precisamos ajustar um acordo que interesse ao comércio, aos trabalhadores e ao Sindicato dos Comerciários”, pontuou.

 

Segundo Ezequiel, as restrições não podem ser empecilho para assinar o acordo, uma vez que outros setores da economia apresentaram números positivos. “Isso é um absurdo, um desrespeito àqueles que produzem. Mesmo num momento de pandemia, houve setores que ganharam muito, haja visto o que foi declarado pelas grandes empresas de eletrodomésticos na cidade. Então, não justifica não repassar o que é devido aos trabalhadores”, reclamou.

 

Segundo Ezequiel, o sindicato patronal deseja um encontro para o dia 20 de maio. Contudo, ele considera que a data é distante para os anseios dos comerciários – ele sugere que a negociação ocorra já na próxima semana. “Somando tudo isso, é mais ou menos R$ 300 milhões que deixaram de ser injetados na economia local”, ressaltou, reclamando do momento vivido pelo setor.

 

De acordo com o dirigente, a reunião é importante para definir o planejamento para os comerciários. Na visão dele, é fundamental que haja um acordo para evitar as demissões no segmento, que vêm crescendo durante a crise sanitária. “O governo não tem nenhum plano pra isso. Os comerciários não têm mais como reduzir salário. Vamos abrir os feriados, vamos deixar o comércio solto pra isso. Queremos um acordo neste sentido. Reduzir o salário de comerciário é dizer que se vai trabalhar e passar fome nesse momento. Não tem mais como reduzir”, bradou.

 

FALTA DE ENTENDIMENTO
O descompasso entre os sindicatos dos Lojistas e dos Comerciários se arrasta desde 2019. Na ocasião, por falta de acordo, ficou decidido que os shoppings não funcionariam no Dia das Crianças. 

 

Em novembro do mesmo ano, a Justiça autorizou o funcionamento dos espaços de compras aos domingos, embasada numa MP assinada pelo presidente Jair Bolsonaro. À época, autorização foi expedida pelo desembargador do Trabalho Marcos Oliveira Gurgel, da 18ª Vara do Trabalho de Salvador, que permitiu o funcionamento dos shoppings aos domingos e feriados. 

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