quarta-feira ,30 setembro 2020
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Técnicos de enfermagem são profissionais de saúde mais infectados com coronavírus na BA

Do total de 6.204 pessoas que testaram positivo para coronavírus na Bahia, 643 são profissionais de saúde e, dentro da área, a categoria mais atingida é a de técnicos e auxiliares de enfermagem. Segundo dados oficiais da Secretaria de Saúde do estado (Sesab), 166 deles foram diagnosticados com a Covid-19 até a noite desta terça-feira (12). Em segundo lugar, aparecem os enfermeiros e as enfermeiras: 141 se infectaram com a doença até o momento. Nesta terça é comemorado o Dia do Enfermeiro.

Para o vice-presidente do Conselho Regional de Enfermagem da Bahia (Coren-BA), Handerson Silva, três hipóteses podem explicar isso. A primeira é justamente o processo de trabalho da área, que possui uma “divisão social e técnica” e indica por que os técnicos e auxiliares estão no topo da lista. “Nessa divisão, a enfermeira fica com o trabalho técnico-assistencial, mas também gerencial. Então, quem fica na ponta, quem está dando banho, às vezes trocando curativo, a depender do tipo… Quem está muito mais próximo são os técnicos e auxiliares. Eles fazem um trabalho mais manual”, esclarece Silva.

Além disso, ele acredita que o cerne do trabalho já deixa as enfermeiras mais expostas à carga viral, se comparadas a outros profissionais de saúde. “Os demais — médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos — vão, assistem o paciente e saem da cena. Quem fica nas 24 horas do trabalho são os membros da equipe de enfermagem. Então, o processo do trabalho favorece o risco”, avalia o vice-presidente.

A segunda hipótese levantada por Silva está relacionada a uma questão estrutural: a insuficiência ou ausência de equipamentos de proteção individual, os chamados EPIs. Ele lembra que isso foi um problema, principalmente no início da pandemia no estado — a Bahia registrou o primeiro caso de coronavírus no dia 6 de março, em Feira de Santana.

Já a terceira possibilidade levantada pelo representante do Coren-BA é a ausência de treinamento adequado para os profissionais. “Se você somar essas três coisas, você tem uma bomba-relógio”, conclui o enfermeiro, que é também professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

A fim de colaborar para a redução nos índices de crescimento do número de profissionais atingidos pelo vírus, Silva afirma que o conselho tem lutado, junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT), para garantir que os EPIs estejam disponíveis e que as trabalhadoras e trabalhadores sejam devidamente treinados, inclusive para retirar os equipamentos. Ele destaca que diversas pesquisas já apontaram a desparamentação como o momento de maior risco para contaminação dos profissionais de saúde.

DEMAIS INFECTADOS

Além do enfermeiros, os médicos também estão entre os mais afetados pelo coronavírus. A Sesab aponta que 117 deles já testaram positivo para a doença e um deles faleceu em Ilhéus (veja aqui). Há também o registro de 27 assistentes sociais e 26 fisioterapeutas infectados.

Em menor grau, aparecem ainda nutricionistas (9), farmacêuticos (9), agentes comunitários de saúde (7), dentistas (5), fonoaudiólogos (4), psicólogos (3), bioquímicos (2), agentes de combate a endemias (2), técnico de raio-X (1) e auxiliar de radiologia (1). Profissionais de outras ocupações totalizam 120 casos e outros três estão na categoria “ignorado”, na qual não há informação sobre o trabalho específico da pessoa contaminada.

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