sexta-feira ,16 abril 2021
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Vacinação em crianças não deve ser critério para volta às aulas, dizem especialistas

Frente ao anúncio de um plano de vacinação brasileiro contra a Covid-19, a volta às aulas presenciais, defendida por pais e professores somente quando houver vacinação em massa, parece estar mais próxima no horizonte.

No entanto, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, informou no dia 13 que as crianças não serão incluídas no programa de vacinação contra a Covid-19.

Para Renato Kfouri, pediatra e presidente do departamento de imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), é um equívoco condicionar a volta às aulas à vacinação em crianças.
“As crianças não estão sendo alvo dos programas de vacinação e dos estudos de fase 3 agora porque não são grupo de risco e tampouco fazem parte da cadeia de transmissão de forma importante”, explica o pediatra.

De modo geral, as crianças apresentam infecções mais leves, com menos sintomas, e são capazes de disseminar menos o vírus do que indivíduos adultos, explica Kfouri.
Estudos já relataram também que as crianças possuem menor carga viral do que adultos e podem até ter uma proteção natural contra o coronavírus devido a infecções passadas de outros vírus causadores de resfriados.

“Tanto na proteção direta, que seria vacinar grupos de risco, quanto na proteção indireta, de vacinar aqueles que transmitem mais, as crianças não são foco dos estudos de vacinas”, diz.
Uma carta assinada por mais de 400 pediatras no final de novembro pedia o retorno às aulas, argumentando que ele é seguro para crianças e adolescentes, desde que medidas de proteção individual sejam implementadas.

Os médicos também defendem que os mais jovens possuem, raramente, complicações de Covid –um pequeno número de crianças desenvolve a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P).
“Não sabemos ainda quanto tempo vai durar a proteção das vacinas em desenvolvimento, mas, se elas precisarem de reforço a cada cinco ou dez anos, vacinar agora pode ’empurrar’ a proteção das crianças até um momento em que elas podem ser suscetíveis e adoecer mais gravemente. Isso me pareceria um erro”, completa.

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